Por Elizangela Jubanski e Juliano Cunha

socorristas

Socorristas do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) de Curitiba foram ameaçados por pessoas próximas de um motociclista que morreu em um acidente de trânsito na noite desta terça-feira (20). José Teixeira Pina Filho, 30 anos, sofreu um acidente de moto e morreu na hora. Armados, eles obrigaram os socorristas a recolher o corpo para dentro da ambulância, mesmo já morto. A ambulância foi perseguida e outro grupo aguardava os socorristas no Hospital Cajuru. A Polícia Militar (PM) precisou intervir na situação.

O acidente na rua Santa Lúcia, na Vila Autódromo, bairro Cajuru. A moto Yamaha 600 cilindradas, pilotava pela vítima fatal, colidiu lateralmente contra um Fiat Palio, dirigido por um mulher. Socorristas do Samu foram acionados, mas quando chegaram constataram que o motociclista já estava morto. Conforme procedimentos de praxe, o recolhimento nesse caso acontece por meio do Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba. No entanto, um homem armado, juntamente com um grupo de pessoas, começaram a ameaçar os socorristas, obrigando-os a transportarem a vítima até um hospital.

Apenas dois socorristas prestaram atendimento no local, entre eles, Anderson Mika, que contou à Banda B que essa situação nunca tinha acontecido com ele. “Foi um acidente entre auto x  moto e quando chegamos no local o motociclista já estava morto. Ficamos aguardando a polícia, mas fomos ameaçados por populares que queriam que a gente levasse o corpo dali. Eles entraram na ambulância e começaram a carregar a vítima para dentro”, descreveu.

No local, havia cerca de 40 pessoas. Após colocarem a vítima dentro da ambulância, dois rapazes de motocicleta passaram a perseguir os socorristas, para garantir a ida até o hospital. “Fomos perseguidos por dois rapazes de moto que estavam atrás da gente, dando luz alta, buzinando, obrigando a gente a ligar a sirene. Infelizmente, a vítima já estava em óbito, não tinha muito o que a gente fazer”, lamenta.

A esposa de Pina Filho estava no Hospital Cajuru e parecia estar bastante abalada. Ela recebeu os socorristas a gritos. Embora Mika entenda o sofrimento das famílias e amigos, disse que sentiu medo. “Deu medo porque a gente nunca passou por uma situação assim. Vamos até lá para amenizar a dor da vítima e nos deparamos com algo assim. Fiquei abalado”, fecha o socorrista.

O corpo de Pina Filho foi levado ao Hospital Cajuru. Lá, também houve confusão na chegada do corpo, que cessou somente com achegada de quatro viaturas da Polícia Militar (PM). Ainda, os socorristas foram escoltados até ao quartel que eles cumprem expediente.