Sindicatos, movimentos estudantis e associações que representam os trabalhadores de Curitiba se uniram e enviaram, nesta quarta-feira (20), uma carta de quatro páginas direcionada ao prefeito de Curitiba Gustavo Fruet. No documento, os grupos criticam a decisão da atual administração municipal que aumentou a tarifa de ônibus em um reajuste acima da inflação (de R$ 2,60 para R$ 2,85) sem uma devida discussão com a sociedade. Ainda segundo a carta, esta decisão “onera os trabalhadores e contrária a campanha política do prefeito, na qual ele dizia que iria abrir a caixa preta do transporte coletivo”.

A carta é assinada, por exemplo, pelos Sindicatos dos Servidores do Poder Judiciário do PR – SINDIJUS, dos Bancários de Curitiba e região – SEEB Curitiba, dos Engenheiros do Paraná – SENGE, dos Trabalhadores na Construção Civil – SINTRACON, dos Trabalhadores em Urbanização do Estado do Paraná – SINDIURBANO, dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba, dos Servidores Municipais de Curitiba – SISMUC e dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e região – SINDIMOC.

Na carta, os sindicatos dizem que o “aumento da passagem de ônibus de R$ 2,60 para R$ 2,85, um pouco abaixo da tarifa técnica fixada em R$ 3,1292 (DOM 14/3/13), é da ordem de 9,62%, portanto, 2,66% acima do índice de inflação calculada pelo INPC.

Por fim, as entidades afirmam que o mais grave “é saber que Fruet publicamente, tem reconhecido que é necessário abrir a caixa preta do transporte coletivo. Mesmo assim, contraditoriamente, e sem saber o custo real da passagem, para surpresa da sociedade, promoveu, por decreto, a majoração da tarifa e decretou aumento sem retomar com a população, a discussão ocorrida na audiência pública em 8/3/2013, no auditório do Mercado Municipal de Curitiba, onde compareceram mais de 300 pessoas e 50 entidades representativas da sociedade civil”.

Assinam o documento descrito pela Banda B:

Coordenação dos Movimentos Sociais – Paraná
Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do PR – SINDIJUS
Sindicato dos Bancários de Curitiba e região – SEEB Curitiba
Sindicato dos Engenheiros do Paraná – SENGE
Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil – SINTRACON
Sindicato dos Trabalhadores em Urbanização do Estado do Paraná – SINDIURBANO
Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba – SISMMAC
Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba – SISMUC
Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e região – SINDIMOC
Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná – APUFPR
Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro do Paraná – FETEC/CUT
Sociedade Peatonal
Movimento Nacional de Luta pela Moradia – MNLM
Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu – CICLOIGUAÇU
Assembleia Popular Paraná
Centro de Pesquisa e Apoio ao Trabalhador – CEPAT
Levante Popular da Juventude
Centro de Formação Urbano-Rural Irmã Araújo – CEFURIA
MPM – Movimento Popular por Moradia
Resistência Urbana
Organização Nova Primavera de Direitos Humanos e Cidadania
Diretório Central dos Estudantes da UNICURITIBA
Diretório Acadêmico Clotário Portugal – Direito – UNICURITIBA

Prefeito recebeu entidades

O prefeito Gustavo Fruet apresentou nesta quarta-feira (20) aos responsáveis pela carta detalhes sobre as medidas da administração municipal relacionadas à definição da tarifa de ônibus e à operação da Rede Integrada de Transporte. “É importante abrir o debate, garantindo a transparência na discussão”, afirmou o prefeito.

Fruet salientou que há hoje três prioridades: a contratação de uma auditoria para dar maior clareza à planilha de cálculos da tarifa; a realização de pesquisa de origem e destino dos usuários do sistema de transporte de Curitiba, podendo ser estendida à Região Metropolitana; e a preservação da integração da rede metropolitana, para a qual defende a necessidade de manutenção do subsídio.

O prefeito destacou que todo o esforço está sendo feito para garantir a transparência dos trabalhos da recém-criada Comissão de Análise da Tarifa do Transporte Coletivo. “Pela primeira vez estão acontecendo discussões abertas à população”, comentou.

Fruet também apresentou aos representantes do Fórum dados que mostram redução do peso da tarifa em relação ao salário mínimo. Os dados indicam que a tarifa atual, de R$ 2,85, representa 21,02% do salário mínimo – o menor percentual desde 2002, com exceção do ano passado, quando vigorou o subsídio do governo estadual. Atualmente, com um salário mínimo, é possível pagar 238 tarifas, enquanto em 2002, por exemplo, o salário mínimo era suficiente para 143 tarifas.

Durante o encontro, representantes do Fórum Popular do Transporte Público entregaram ao prefeito um documento com estudos que visam contribuir para a análise tarifária.

“A reunião foi satisfatória, positiva”, afirmou Lafaiete Neves, da Associação de Professores da Universidade Federal do Paraná e integrante do Fórum. “Percebemos que o prefeito está determinado a abrir a caixa preta do transporte coletivo e a ampliar o diálogo com as entidades”, disse.