Por Felipe Ribeiro

Os servidores da saúde de Curitiba fizeram duas paralisações de meia hora nas unidades de saúde e Unidades de Pronto Atendimento (UPA) nesta segunda-feira (30) para demonstrar insatisfação com a Prefeitura em relação às negociações na área. Em entrevista à Banda B, a coordenadora do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (Sismuc), Irene Rodrigues, avaliou como positiva as paralisações e não descartou uma possibilidade de greve caso a prefeitura não corresponda com a expectativa da categoria.

“Foi melhor que a expectativa, nós tivemos conversando com os servidores em vários locais da cidade e recebemos uma avaliação positiva da população de Curitiba, que entende a importância da nossa mobilização”, comentou.

As paralisações ocorreram durante as troca de turnos, das 7h às 7h30 e das 13h às 13h30. No dia 3 de outubro os servidores devem realizar uma assembleia geral e, o dia 7 será marcado como indicativo de greve. “Queremos solução, o motivo principal do descontentamento é a incorporação de R$ 386 para os servidores de Curitiba, mas deixou a saúde de fora. Nossa área já vem de uma gestão de desvalorização da gestão anterior e não admitimos ser tratados assim. Aguardamos a negociação, ou podemos sim entrar em greve”, afirmou.

As reivindicações incluem a incorporação da saúde no Índice de Desenvolvimento Qualitativo (IDQ), a igualdade na gratificação da Estratégia Saúde da Família (ESF) e a insatisfação com as unidades mistas.

Em nota, a Prefeitura de Curitiba, através da Secretaria Municipal de Saúde, informou que está trabalhando intensamente para garantir a assistência à saúde aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) de Curitiba. Confira a nota na íntegra:

Em janeiro, o cenário era de dívidas, falta de medicamentos nas unidades e ameaça de fechamento de serviços estratégicos.De lá pra cá, houve melhoras significativas, embora ainda haja muito para se fazer.

Médicos, dentistas e outros profissionais foram convocados para repor os quadros abertos; o número de equipes de Saúde da Família aumentou; unidades básicas tiveram seu horário ampliado para facilitar o acesso da população, além de negociações constantes com a rede hospitalar e com os prestadores de serviços especializados para ampliar a oferta de consultas e serviços.

Algumas categorias de servidores da saúde, que inclui enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem, reivindicam mudanças na atual escala de trabalho, exigindo períodos de 12 horas consecutivas de trabalho, seguidas de 60 horas de folga. Curitiba foi a primeira cidade a implantar a legislação que reduz de 40 para 30 horas semanais a carga desses profissionais, com escalas de trabalho diário de 6 horas e, no mínimo, dois fins de semana completos de folga por mês, visando à melhoria das condições oferecidas ao trabalhador.

É importante ressaltar que períodos diurnos de 12 horas consecutivas são desgastantes para os profissionais, tanto física quanto psicologicamente, fator que prejudica a qualidade da assistência ao usuário. E é justamente pensando na saúde do trabalhador da saúde e do usuário do SUS que a Prefeitura optou por manter o revezamento diário de funcionários que já existe hoje.

Ao mesmo tempo, folgas de 60 horas diminuem o vínculo do profissional com a equipe e o serviço de saúde. Portanto, são prejudiciais para a qualidade da assistência nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) 24 Horas.

Entretanto, a Prefeitura reconhece o direito de seus servidores de se expressar e de se manifestar democraticamente. Durante as paralisações de hoje, que foram realizadas nas trocas de turno, as Unidades de Saúde e Unidades de Pronto Atendimento 24 horas atenderam normalmente, sem prejuízos para os pacientes.

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