Situações graves estão se transformando em rotina para profissionais da saúde da Ecco-Salva, serviço particular de atendimento médico de urgência e emergência. Hospitais de pronto-atendimento de Curitiba estão se negando a receber pacientes dessas ambulâncias, alegando superlotação. O diretor clínico da Ecco-Salva, Akihito Urdiales, contou em entrevista à Banda B, que o ápice da situação de crise aconteceu na noite desta segunda-feira (25). De acordo com o diretor, dois pacientes em estado grave tiveram de ficar cinco horas dentro das ambulâncias porque os Hospitais Evangélico, Cajuru e Trabalhador recusaram atendimento.

“Quando o paciente não tem assistência privada e precisa do SUS, começa nosso problema porque então temos que procurar no sistema de credenciamento público hospitais que tenham leitos. Esses dois pacientes de ontem estavam em situações graves. Como sou responsável técnico pela empresa, não posso fazer vista grossa para esta situação”, expõe o diretor.

Esta busca por leitos ocorre nos locais onde há atendimento de pronto-socorro. “Antigamente não tinha esta demora, em minutos conseguíamos um leito. De uns tempos pra cá, esta sendo assim. Ontem foi o cúmulo, o paciente dentro da ambulância e os hospitais dizendo que não tinha vaga. Eu não posso ficar com este paciente dentro da ambulância, podendo vir a óbito, e a gente ficando com uma responsabilidade que não é nossa”, afirma Urdiales.

Ainda, segundo ele, todas as ligações para os hospitais – que negaram o recebimento do paciente – foram devidamente gravadas. “Temos nomes, horário tudo. Não sei o que está acontecendo, só sei que lugar de paciente não é dentro de ambulância, porque não é lugar para casos graves.

O diretor contou que, sem sabe o que fazer, pediu auxílio à imprensa e foi atendido. Depois de cinco horas rodando com os pacientes – que têm problemas neurológicos – conseguiu leito no Hospital do Idoso. “E posso dizer que houve agravamento clínico desses pacientes em função dessa demora no acolhimento por parte dos hospitais de emergência”, completou o diretor da Ecco-Salva.

A empresa vai decidir na tarde desta terça-feira se vaiu ou não acionar o Ministério Público do Paraná sobre estas ocorrências.

Casos

A falta de leitos já é retratada há meses pela Banda B. Em novembro do ano passado, uma ambulância do Siate rodou por duas horas para conseguir leito para um idoso que tinha sido atropelado no dia 10.

“A gente faz o nosso trabalho e não temos como simplesmente colocar a vítima para dentro do hospital, se não tem equipamento. É uma realidade, os hospitais estão superlotados. Aumentou a demanda e os hospitais e as ambulâncias não estão suprindo as necessidades”, finaliza o cabo Ernesto, socorrista do Siate, em entrevista na época à Banda B.

Resposta

A Banda B entrou em contato com a Prefeitura de Curitiba, que é a responsável pela Central de Leitos da capital. É essa central que faz a distribuição de pacientes recolhidos pelo Siate, Samu ou ambulâncias particulares.

Sobre a demora, a prefeitura rebateu e informou que houve pronto atendimento aos pacientes nos dois casos. O primeiro caso, segundo a assessoria, recebeu solicitação do Samu apenas às 16h. A paciente foi então encaminhada para o Hospital do Idoso, onde realizou uma tomografia às 17h30. Não foi identificado sangramento ou qualquer outra anormalidade. Ela passou a noite na UTI em observação e agora segue internada na enfermaria do Hospital.

Já no segundo atendimento, o primeiro chamado da Ecco Salva para o Samu ocorreu às 19h34 e a orientação foi seguir o protocolo e recorrer ao Siate. Às 23h47, o Samu recebeu um novo chamado da Ecco, solicitando tomografia de crânio para a paciente. Ela foi submetida ao exameàs 2h, no Hospital de Idoso, e às 3h20 deu entrada na Unidade 24 Horas do Boqueirão, onde segue em atendimento.