Por Elizangela Jubanski e Felipe Ribeiro

A data do julgamento ainda não foi definida, no entanto, o cumprimento da frota mínima deve ocorrer até a decisão. Foto: FB/Banda B

A greve dos motoristas e cobradores de Curitiba e região metropolitana vai continuar e a decisão será julgada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT-PR). A decisão de aumentar em R$ 100 o valor do vale-alimentação foi rejeitada pelos patrões e, com isso, a greve avança para a segunda semana de paralisação. No entanto, a Justiça determinou que a frota mínima fosse aumentada para 80% nos horários de pico e 60% nos demais horários, até data de julgamento. Porém, segundo a Urbs, às 6h30 desta quarta-feira (22), apenas 41% dos ônibus estavam circulando.

Sem acordo, o dissídio da categoria será julgado pela Seção Especializada do Tribunal Regional do Trabalho, que reúne todos os desembargadores do TRT-PR. A data do julgamento ainda não foi definida, no entanto, o cumprimento da frota mínima deve ocorrer até a decisão, sob multa de descumprimento em R$ 100 mil por hora, conforme já determinada.

Durante as negociações, uma das propostas, que contou com um aval da Coordenação da Região Metropolitana (Comec) e da Urbanização de Curitiba (Urbs), previu reajuste de 6% nos salários e no vale-alimentação, garantia de que os dias parados não serão descontados e aumento de R$ 10 no abono salarial. Os motoristas e cobradores aceitaram a proposta salarial, mas consideraram o aumento no cartão alimentação muito baixo. A proposta foi recusada por 90% dos 836 trabalhadores consultados. O Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus (Sindimoc) entende que um aumento de R$ 130 pode encerrar a paralisação.

Segundo o presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira, a proposta ficou muito distante do que é a realidade do transporte coletivo. “Um ganho no vale-alimentação, uma valorização favorecia muito a negociação. Sabemos que o supermercado subiu muito mais”, disse.

Durante a discussão no TRT, a Comec chegou a anunciar que poderia fazer um repasse de 6,58% nos salários, valor que a Urbs informou que não poderia chegar. Como contrapartida, a Urbs ofereceu o abono de R$ 400 a ser pago no mês de maio. A Comec aceitou, mas condicionante a acontecer junto ao pagamento de férias de cada trabalhador. Hoje o abono era de R$ 390, mas empresários pediam a retirada do benefício.

A greve de motoristas e cobradores de ônibus chegou ao sétimo dia nesta terça-feira. Desde a última quarta-feira, Curitiba tem vivido dia de caos no trânsito. A frota de ônibus do transporte coletivo tem se mantido próxima dos 40%, valor determinado pela Justiça do Trabalho fora dos horários de pico.