Por Felipe Ribeiro

Dois dias após a divulgação do laudo que nega o uso de drogas sintéticas pelo estudante Lucas Eduardo de Araújo Mota, de 16 anos, que morreu durante a ocupação de um colégio de Santa Felicidade, em Curitiba, o secretário de Segurança Pública Wagner Mesquita negou que houve precipitação na divulgação das informações sobre a autoria do crime. Em entrevista coletiva concedida nesta segunda-feira (12), Mesquita disse que o laudo não contraria nenhuma de suas manifestações ou da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), uma vez que o exame descartou o uso de apenas duas drogas sintéticas.

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Lucas morreu aos 16 anos (Reprodução Facebook)

“Não há contradição nenhuma, o que há é uma investigação que ainda está andamento. O que o laudo indica é que não pode comprovar o uso de duas drogas sintéticas, mas o depoimento de três testemunhas envolvidas no crime diz que o uso ocorreu sim. Existem centenas de drogas sintéticas, a cada mês o mercado cria uma nova. Se um único componente químico for alterado, essa droga não vai estar na portaria da Anvisa, ser considerada droga ilícita ou ainda ser detectada por reagente”, afirmou Mesquita.

A mãe de Lucas, Alexandra Nunes, disse em entrevista à Banda B nesta segunda que o laudo confirmou tudo o que ela já sabia e lamentou a atitude das autoridades do estado no dia do crime. “Ninguém do estado do Paraná me procurou para falar sobre o crime, tudo o que fiquei sabendo foi pela mídia. No mesmo dia do crime, o delegado e o secretário de Segurança afirmaram com todas as letras que o desentendimento aconteceu pelo uso de drogas, isso eles afirmaram. Você não pode acusar uma pessoa sem provas e o que transparece é que eles acreditaram em um bando de alunos que estava sozinho”, disse.

Lucas foi assassinado no dia 24 de outubro no Colégio Estadual Santa Felicidade. Na ocasião, um colega de 17 anos foi apreendido suspeito pelo crime e o Mesquita afirmou que a morte do garoto havia sido uma “tragédia presumida”. Segundo as declarações, ambos os estudantes teriam usado uma droga sintética conhecida como “balinha” e se desentenderam no interior da escola.

Processo judicial

Assessorada de um advogado, Alexandra disse que espera apenas que ‘justiça seja feita’ e já declarou que pode entrar com uma ação contra o estado. “Já estão até dizendo que podem pedir um novo exame, o que é um absurdo. Parece que querem que meu filho tenha usado drogas”, comentou.

Mesquita também falou sobre a possível ação judicial da família de Lucas contra o Estado por difamação do nome do adolescente. “Se a família acredita, o poder judiciário vai avaliar a questão, é natural. Nosso compromisso é investigação isenta e correta”, concluiu.

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