A Secretaria de Estado da Saúde reuniu nesta quarta-feira (20) gestores, médicos e técnicos de cinco regionais para discutir o fluxo de atendimento aos pacientes com dengue. Foram definidas estratégias para os municípios que apresentam maior ocorrência de casos, evitando que pacientes com quadros leves evoluam para situações mais graves.

Para o superintendente de Vigilância em Saúde, Sezifredo Paz, o primeiro passo é conscientizar a população sobre a importância de procurar o serviço de saúde logo no início de sintomas típicos de dengue. “A evolução da doença é rápida, por isso queremos identificar os casos mais cedo, possibilitando tratamento adequado já na unidade básica de saúde”, afirmou.

Em municípios com registros de casos da doença, pacientes com febre alta, dor abdominal, cansaço, dor no corpo, enjôo e dor nas articulações devem ser imediatamente notificados e tratados como suspeitos de dengue. Essa primeira triagem também deve levar em conta o histórico do paciente, sobretudo a situação epidemiológica da região onde a pessoa mora e trabalha.

Uma equipe da secretaria está na região de Campo Mourão capacitando profissionais de postos de saúde e pronto-atendimentos para a classificação de risco dos pacientes. Um cartaz com o esquema detalhado desta classificação também foi distribuído às unidades e está afixado em local de fácil acesso aos profissionais.

RETAGUARDA – A reunião desta quarta, realizada por videoconferência, também discutiu a retaguarda hospitalar e o transporte de pacientes graves de dengue. Esses casos geralmente necessitam de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) disponíveis em grandes cidades.

Como a epidemia da doença está concentrada em municípios pequenos, a Secretaria organizou um novo fluxo logístico para que esses internamentos sejam feitos de forma mais ágil. “As regionais de saúde, municípios, hospitais de referência e centrais de regulação médica atuarão em conjunto para avaliar cada caso. Esse diálogo possibilita um encaminhamento ordenado e mais rápido”, explicou o diretor de Políticas de Urgência e Emergência da secretaria, Vinícius Filipak.

Na região Noroeste do Estado, as principais referências de atendimento de alta complexidade estão em Campo Mourão, Paranavaí, Umuarama, Maringá e Cianorte. Além disso, hospitais de Engenheiro Beltrão, Terra Boa, Araruna e Goioerê estão recebendo pacientes menos graves de municípios em epidemia de dengue.

O superintendente de Gestão de Sistemas de Saúde, Paulo Almeida, assegurou que hospitais de média complexidade que tiveram aumento nas internações por conta da dengue também serão apoiados. “O Estado pagará os custos dessas internações normalmente, mesmo que excedam o programado no mês”, disse. A atual demanda extrapola o teto de autorizações de internação hospitalar (AIH) dos hospitais, definido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

NÚMEROS – De acordo com dados da Sala de Situação da Dengue, dos 4.221 casos confirmados de agosto de 2012 até agora, oito evoluíram para a forma grave da doença e duas pessoas morreram. Analisando os prontuários clínicos, verificou-se que a maioria dos casos estava relacionada à procura tardia de atendimento médico ou a pré-existência de doenças crônicas.

Seis mortes estão sob investigação da Secretaria de Estado da Saúde. Os resultados dos exames e da investigação serão informados na segunda-feira (25/02) com o boletim semanal da dengue.

APOIO – O secretário estadual da Saúde, Michele Caputo Neto, também recebeu nesta quarta-feira a prefeita de Campo Mourão, Regina Dubay, e garantiu total apoio do Estado no combate à dengue no município. Caputo Neto anunciou o envio imediato de medicamentos para tratamento da doença, unidades de UBV pesado (fumacê) e apoio para a contratação emergencial de agentes comunitários de endemias.