Tribuna do Vale

Pronto Socorro da Santa Casa passa a atender a partir do dia 1º somente casos de urgência e emergência / Jivago França

O diretor presidente da Santa Casa de Misericórdia de Jacarezinho, o médico anestesista, Kem Tokumoto, disse na manhã de segunda-feira, 27, em entrevista à Tribuna do Vale, que municípios da região que utilizam os serviços do Pronto Socorro do hospital não destinam verba para a casa de saúde.

Segundo ele, o chefe da 19ª Regional de Saúde com sede em Jacarezinho, Alfredo Ayub já teria entrado em contato com secretários municipais de saúde da região para tentar viabilizar convênios que possam oferecer fôlego financeiro para  Pronto Socorro da unidade hospitalar.

“Cadê os prefeitos da região? Nenhum deles veio conversar comigo até hoje. O Alfredo (Ayub) tem ajudado a gente e entrado em contato com secretários da região para tentar fazer um convenio, mas os municípios estão muito reticentes. Quem está assumindo a despesa é a Santa Casa de Jacarezinho e não é Santa Casa Norte Pioneiro”, desabafou. “Há muitas criticas dos pacientes. Eles reclamam que não há atendimento na cidade de origem”, completou.

O médico ainda explicou a situação atual dos atendimentos no Pronto Socorro. “O que não for urgência, (a população) deve procurar os postos de saúde. Esses pacientes estão vindo aqui no Pronto Socorro e usando também os medicamentos da Santa Casa e isso está onerando muito o hospital”, revelou.

Ainda de acordo com Tokumoto, o encaminhamento de pacientes de outras cidades também é feito muitas vezes sem aviso prévio. “Para encaminhar, em primeiro lugar existem regras. Estão chegando pacientes aqui, em muitas vezes, sem ter comunicação com os médicos do Pronto Socorro. E muitas vezes estão vindo pacientes com diagnósticos inventados”, afirmou. “O médico que está na referência, não quer nem saber (…). Única coisa que querem saber é encaminhar o paciente e entupir a Santa Casa”, desabafou.

Não fecha

“Eu nunca disse que o Pronto Socorro ia fechar. Como a Santa Casa é uma referencia, não pode fechar o Pronto Socorro. Agora o problema todo é que o município de Jacarezinho está com deficiência de atendimento nos postinhos e todo dia chega em média 120 pacientes e isso é um numero excessivo e um gasto excessivo para Santa Casa”, explicou.

Ele justificou os gastos do hospital. “A maioria dos pacientes que chega ao Pronto Socorro quer medicamentos e isso esta acarretando um gasto enorme para Santa Casa. Muitos vêm para pegar atestado e receita médica. É isso que está levando a gente a colocar que só vai ser atendido urgência e emergência”, esclareceu.

“Na realidade os pacientes deverão procurar os postinhos de saúde, porque já houve um prévio acordo com o ‘doutor’ Gláucio (Cícero da Silva) secretário de saúde, de abrir o posto central e o posto do Aeroporto até as 21 horas todos os dias”, revelou Kem.

Somente em janeiro, segundo o presidente, o Pronto Socorro gerou um gasto de aproximadamente R$ 213 mil com pagamento de médicos e medicamentos. O presidente revelou ainda que o Pronto Socorro passará por uma reforma geral com a viabilização de uma emenda do deputado Luis Carlos Martins e auxilio da Unimed e Ultramed.

Anteriormente, no contrato entre a prefeitura de Jacarezinho e a Santa Casa, eram repassados pelo município à manutenção do Pronto Socorro, R$ 96 mil mensais. A prefeitura sinalizou que iria aumentar o repasse para R$ 105 mil, mas a Santa Casa pede R$ 200 mil mensais.

“É uma verba necessária, porque estamos gastando em torno de R$ 213 mil, R$ 220 mil por mês no Pronto Socorro. O próprio prefeito diz que não tem verba para isso. Eu sou diretor da Santa Casa e mexo com números e os números não estão fechando e esta dando déficit e isso me preocupa muito”, finalizou.