Da SMCS

Quem costuma passear ou praticar esportes nos parques Barigui, São Lourenço e Náutico está acostumado com a dócil presença de ovelhas que habitam nestes locais. No total, há 75 animais, a maioria nascida nos próprios parques.

OVELHAS

Foto: Divulgação SMCS

A médica veterinária Ana Silvia Passerino conta que no fim da década de 1980 os primeiros animais chegaram aos parques Barigui e Barreirinha, com a função de manter os gramados aparados. Com o tempo, os animais se tornaram uma atração, principalmente para as crianças.

“Os frequentadores dos parques acompanham a rotina das ovelhas e nos fazem perguntas sobre elas, especialmente sobre os filhotes”, explica Ana. Mais que uma atração, a presença das ovelhas nos parques é muito importante para aproximar a população. “Muita gente não tem outra oportunidade de convivência com este tipo de animal, por isso as pessoas ficam encantadas quando chegam aqui”, diz a veterinária.

Ana conta que, em outras cidades, não é usual que os parques públicos tenham ovelhas entre as suas atrações, o que acaba se tornando uma espécie de cartão portal de Curitiba.

Atualmente, há 18 ovelhas no Parque Barigui, 23 no São Lourenço e 24 no Parque Náutico, além de dez filhotes. Todas os animais adultos são fêmeas da raça Suffolk.

“As fêmeas são mais dóceis e obedientes, o que permite uma convivência pacífica com os visitantes”, explica Ana. Os carneiros, por serem mais agressivos, não fazem parte da fauna dos parques. “O macho é trazido uma vez por ano, apenas para o acasalamento”, informa.

Os partos acontecem nos próprios parques, na área dos apriscos (abrigos de ovelhas). “Um dos momentos mais emocionantes para mim foi quando ajudei a fazer um parto difícil e consegui salvar a mãe e o filhote, que está conosco até hoje”, conta o tratador Laudelino Matoso, que há mais de 20 anos cuida diariamente dos animais no Parque Barigui.

Outro fato que ele lembra com emoção é o tratamento de uma ovelha cega que fazia parte do rebanho, anos atrás. “Ela compreendia tudo o que eu falava e eu tinha um cuidado especial com aquele animal. Era preciso vigiar sempre para que ela não se distanciasse das outras ovelhas durante o pasto e estivesse sempre em segurança”, lembra. “Mas era só eu chamá-la que ela compreendia muito bem”.

Rotina

Diariamente, às 8 horas, o tratador leva as ovelhas aos gramados do Parque Barigui, onde ficam até as 17 horas, quando são recolhidas nos apriscos. “Eventualmente, nos fins de semana, temos que recolhê-las um pouco antes”, conta. Isso acontece quando há muitos cães no parque, o que as deixa com medo e estressadas.

Além do pasto, à noite as ovelhas recebem ração, como reforço da alimentação. O rebanho também recebe vacinas e é devidamente catalogado, o que permite um acompanhamento preciso do histórico de cada animal.

“As ovelhas são muito saudáveis e raramente ficam doentes”, informa a veterinária. Quando isso acontece, Matoso e os tratadores que atuam em outros parques informam imediatamente aos veterinários da equipe. “Conheço cada um dos animais somente pelo olhar e pelo jeito de andar, se algo não estiver certo, percebo de cara”, conta Matoso. “Não consigo imaginar a minha vida sem a convivência com estes animais”, comenta o tratador.