Por Sérgio Brandão*

Pensando na Sulamericana, o Coritiba poupa Alex, dizem os jornais. E, eu, somando tudo que vi e li até agora, inclusive a derrota do Coritiba na estreia da Sulamericana- com Alex e Cia- concluo que o Atlético, pensando em toda a temporada, poupou o time inteiro, desde o início do ano e se deu melhor.

coritiba coluna

A ideia é sim,  esquentar ainda mais a rivalidade. Aproveitar a “bobeira” dada pelo presidente Coxa, Vilson Ribeiro, quando se referiu ao Atlético como culpado pela crise que vive o Coritiba, no brasileirão.

Os resultados estão aí. O Coritiba foi mais uma vez campeão paranaense (tetra). Enquanto o Atlético agora briga pela grande possibilidade de classificação na libertadores, Copa do Brasil e quem sabe, com um pouco de sorte, o bi do brasileiro. É só avaliar o que vale mais.

Não resta dúvida que a decisão inédita da direção atleticana de poupar o elenco principal no início do ano, foi mais inteligente. Na época rendeu críticas de muita gente, até da própria torcida que vaiou o time algumas vezes durante o paranaense, quando optou por disputar a competição com o sub 23, que no final quase leva o campeonato, dando alguns sustos nos adversários, principalmente na reta final. A decisão da longa pré-temporada chegou a virar piada na mídia nacional.

A formula estranha, ainda desconhecida como parte de um programa sério de planejamento, olhando para todo o calendário brasileiro que não dá trégua, chegou a irritar muitos entendidos de futebol. Só que hoje, colhendo o sucesso desta decisão, poucos reconhecem esta fórmula como uma das principais responsáveis pela excelente campanha do clube no brasileiro.

O time todo parece inteiro, sem baixas, com poucas visitas ao departamento médico, pelo menos não tanto quanto a maioria dos clubes que precisam abrir mão de seus principais jogadores em horas decisivas. Caso do Coritiba com Alex, Seedorf no Botafogo e outros tantos pelo brasileirão.

É sem dúvida uma das novidades que devem se incorporar ao futebol moderno, com adaptação específica ao calendário brasileiro, cheio de rodadas, entre tantas competições.

Se adotada,imagino estar próximo de ver o fim da velha discussão sobre a validade ou não dos campeonatos regionais.  Quem sabe seja mesmo por aí, o começo de um caminho sem volta. Os regionais devem ser disputados por categorias de base e, lá na frente podem servir de laboratório, pelo menos aos grandes clubes.

A receita não parece tão simples assim. Pouco amor de quem comanda e muito profissionalismo. O profissionalismo das salas de diretorias  parece ser um caminho que poucos dirigentes conhecem. Alguns se deixam levar pelo seu lado torcedor. Quem comanda, vai ter que aprender na marra esta nova modalidade.

A decisão que teve o apoio de Petraglia quando o departamento de futebol propôs esta quase férias para o início da temporada, colhe mais frutos até do que previa a própria direção atleticana. Não vão admitir, mas também houve dúvidas no meio do caminho. Também sorte, outro ingrediente necessário nas recentes contratações. Como sempre, Petraglia recebeu críticas, mas bancou. As vezes, Mário Celso Petraglia exagera. É sempre nestas horas que ele costuma pisar na bola. Evoca deuses e se apresenta como um deles. Contra tudo e todos, se enche de razão e dita regras. Com isso desarruma a casa e põe tudo a perder.

A hora é de equilíbrio. O mesmo bom senso que os acompanhou até aqui.

* Sergio Brandão jornalista há 30 anos, trabalhou em várias áreas da profissão, tendo se especializado em comunicação para televisão desde 1983. Hoje é jornalista frela.  Trocou a vida sedentária e seus quase 90 quilos em 2000, pelo esporte. Quase 13 anos depois, acumula em seu currículo dezenas provas de triathon, duathlon, 12 maratonas e inúmeras corridas de rua