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Entidades médicas demonstraram apoio à dra. Virginia

Logo após a revista VEJAdeste domingo (7) divulgar documentos exclusivos com novos detalhes das supostas execuções feitas em uma das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico, em Curitiba, representantes da Federação Nacional dos Médicos (FNM) e do Sindicato dos Médicos do Paraná (Simepar), fizeram, ontem, uma visita de solidariedade à médica Virgínia Helena Soares de Souza, acusada pelo Ministério Pùblico de antecipar mortes dos pacientes. O encontro aconteceu na sede do Instituto Elias Mattar Assad de Práticas Profissionais, em Curitiba.

A reportagem da VEJAmostra novos trechos de depoimentos de funcionários e ex-funcionários que reforçam a hipótese de execução de alguns pacientes. Um dos trechos mostra que, “numa manhã, em meados de 2010, Virgínia Soares de Souza, médica responsável pela unidade de terapia intensiva para casos de clínica geral do Hospital Evangélico, o segundo maior de Curitiba, avisou seu pessoal que um grave acidente de trânsito acabara de fazer várias vítimas e que eles se preparassem para recebê-las. Uma das enfermeiras presentes alertou para um problema: todos os catorze leitos estavam ocupados. Ouviu como resposta que fosse ao pronto-socorro apressar os procedimentos de internação, porque as vagas seriam criadas. “Desci para o pronto-socorro com a UTI lotada. Quando voltei, em menos de meia hora, seis pacientes tinham morrido. Fiquei apavorada”, conta a VEJA a enfermeira, que não quer ser identificada por temer represálias. Ela ainda perguntou ao colega Claudinei Machado Nunes o que havia acontecido. Ele disparou: “Você é ingênua ou burra?”.

A moça narrou sua história de terror à Polícia Civil do Paraná – um dos oito depoimentos estarrecedores sobre a repugnante máquina de execuções instalada na UTI do Hospital Evangélico aos quais VEJA teve acesso. Um conjunto também ainda inédito de 21 prontuários é contundente quanto ao modus operandi da doutora Virgínia: todos os pacientes cujos casos estão sendo investigados receberam um mesmo coquetel de medicamentos, a que a polícia se refere como “kit morte””, diz a revista num dos trechos da reportagem publicada neste domingo.

Solidariedade

Neste domingo, prestaram solidariedade à Dra. Virginia, o Presidente da Federação Nacional dos Médicos, Dr. Geraldo Ferreira, e o Presidente do Sindicato dos Médicos do Paraná, Dr. Márcio Ferrari.

Ao tomar conhecimento da matéria de capa da Revista Veja, o advogado criminalista Elias Mattar Assad disse “ponderei ao repórter da Veja, que o nosso lado é o da ciência médica e jurídica e, o outro, o das queimas da idade média. Lamentavelmente, a revista optou por reacender a fogueira requentando assuntos já superados, enquanto os principais veículos do Brasil demonstram equilíbrio e atualização”.

A médica Virginia Helena Soares de Souza, declarou que “a revista Veja mais uma vez dedignou-se, contrariando o bom jornalismo e a ciência na contramão da nota emitida pela nova diretoria do Hospital Evangélico, baseada em provas científicas e médicos altamente especializados”. Arrematou dizendo: “assim, está cada vez mais difícil aquela revista reverter a quase falência editorial que se embrenhou após o escândalo de Carlinhos Cachoeira”.

Segundo a assessoria de Mattar Assad, as entidades médicas presentes, enalteceram a nota da nova diretoria do Hospital Evangélico de Curitiba e repudiaram a falta de informação científica de muitos meios de comunicação no trato do tema, recomendando prudência e respeito aos médicos especialistas em medicina intensiva, legal e anestesiologia.

O advogado de defesa afirmou também que muitos não entendem o alcance da tese defensiva da inexistência de fato criminoso, e a revista, em sua impressão leiga, a concebeu como “ironia da defesa”, tanto que não aprofundou o fato da médica ter assegurado judicialmente o seu direito de responder em liberdade.

Virgínia ganhou a chance de responder a ação em liberdade no dia 20 de março. Na semana passada o Juiz de Direito da 2ª Vara do Júri de Curitiba, Daniel Surdi de Avelar, não acatou o recurso para nova prisão contra a médica pedida pelo Ministério Público, e manteve o direito de Virgínia responder em liberdade.