Se for respeitada a política bienal de valorização do piso regional aprovada pela Assembleia Legislativa do Paraná no ano passado, o salário mínimo no estado a partir do dia 1º de maio sofrerá um reajuste de 12,32%. O índice corresponde ao que foi acordado para 2013 de um reajuste composto pelo ganho real de 5,1%, e a variação acumulada nos últimos doze meses do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que até março foi de 7,22%. Quem vai definir se, de fato, este será o índice de reajuste do novo mínimo do Paraná será o governador Beto Richa, por meio de um decreto que deve ser formalizado, como tradicionalmente ocorre, em 1º de maio, data que se celebra o Dia Mundial do Trabalho.

Até o momento, não há o índice oficial. No início do mês, o secretário do Trabalho, Emprego e Economia Solidária Luiz Cláudio Romanelli, já trabalhava com um índice acima dos 10% para o novo mínimo. “É bem possível que o índice até passe um pouco dos 10%, tudo vai depender do INPC”, dizia Romanelli.

Além do reajuste pelo INPC mais um ganho real de 5,1%, a política bienal aprovada em 2012 prevê também que o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social – Ipardes – deve ser ouvido pelo governador antes da definição do índice. Segundo informações levantadas pela Banda B, o Ipardes já entregou o estudo com base nos dados e análise da economia paranaense, mas ainda não há definição sobre o novo mínimo.

Fiep
Helio Bampi é contra intervenção do Estado no piso

Mesmo sem a definição oficial, os empresários protestam. Para o vice-presidente da Federação das Indústrias do Paraná, Helio Bampi, a política de valorização do piso regional está prejudicando a vinda de novos investimentos para o estado. “Esse possível índice de 12,32% de reajuste nos preocupa muito. O piso regional vem tendo aumentos reais muito grandes, tanto que hoje o mínimo do Paraná é o maior do país. Estamos espantando investimentos no estado. Quando o investidor vê aqui a falta de obra diante do baixo nível de desemprego, e se depara com um piso alto como esse, é claro que resolve procurar oportunidades em outros estados”, diz Bampi.

Para o vice-presidente da Fiep é um erro estabelecer um ganho real sem levar em conta a produtividade. “No ano passado o aumento da produtividade do Paraná ficou próximo do zero e agora daremos um ganho real no piso regional de 5,1%? Isso é um equívoco”, afirma.

O piso regional vale apenas para as categorias não organizadas, sem a representação de um sindicato para negociar com o empregador. Ainda assim, Bampi avalia que o impacto do reajuste do piso sempre é muito grande nas futuras negociações. “O que se aumenta no piso serve de base nas negociações das categorias organizadas”.

Por fim, o representante da Fiep critica a ingerência do Estado sobre os assuntos da economia o que, segundo ele, não tem nenhum sentido. “Defendemos a livre negociação entre os sindicatos dos trabalhadores e os sindicatos patronais. Isso já está bem fundamentada na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Cada categoria tem suas nuances, suas peculiaridades, e uma ingerência linear pressiona toda a economia. Setores como o madeireiro e o têxtil estão enfrentando sérias dificuldades e correm o risco de quebrar com índices de reajuste tão grandes assim”, completa Bampi.

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* As informções são do Sindishopping