Da Agência Brasil

A principal preocupação da Secretaria Estadual de Saúde do Paraná com relação à Copa do Mundo se refere à possibilidade de que ocorram manifestações violentas, atentados terroristas ou eventos químicos, biológicos e nucleares que possam envolver uma grande quantidade de vítimas. O evento não gera grandes preocupações já que o sistema de saúde, segundo a secretaria, está preparado para atender as ocorrências de urgência ou emergência relacionadas a torcedores, turistas e a população paranaense.

“O impacto que a gente antevê, e que talvez seja o mais crítico, seria um atentado ou a ocorrência de manifestações violentas. O evento esportivo, em si, é de menor importância. Um clássico regional [entre clubes paranaenses] tem dez vezes mais risco. Pelo sorteio [da Copa], não teremos, em Curitiba, seleções inimigas ou com torcidas violentas”, disse Vinicius Filipak, diretor de Políticas de Urgência e Emergência da Secretaria Estadual de Saúde do Paraná, em entrevista à Agência Brasil.

“O atendimento que vai ser prestado durante a Copa do Mundo não difere da rotina, do dia a dia. Apenas será feito um reforço assistencial nos locais onde haverá concentração de público”, acrescentou.

Dentro da Arena da Baixada e no perímetro de bloqueio estabelecido ao redor do estádio, a responsabilidade inicial pelo atendimento dos torcedores será da Federação Internacional de Futebol (Fifa). “A Fifa contratará equipes médicas e de enfermagem de sua responsabilidade. Faremos o monitoramento para que a gente garanta a qualidade do serviço que será prestado lá dentro, mas ela não utilizará recursos públicos. Se o paciente puder ser atendido dentro daquele ambulatório próprio da Fifa, ele será liberado e irá para casa. Se o cidadão cair da arquibancada e tiver um ferimento, ele será atendido no estádio e, se necessitar de raio-X, de gesso ou de cirurgia, será levado pela ambulância da Fifa para os hospitais que nós vamos designar”, explicou Filipak.

Os torcedores que necessitem de atendimento serão encaminhados, prioritariamente, ao Hospital do Trabalhador. Mais seis hospitais públicos e três privados localizados em Curitiba ou na região metropolitana também estarão preparados para receber pacientes. Se houver uma sobrecarga no sistema, outros hospitais do estado também poderão ser acionados. O Hospital do Trabalhador e mais três hospitais de referência terão planos para atendimentos envolvendo múltiplas vítimas seja por causa de manifestações violentas, atentados terroristas ou por eventos químicos, biológicos e nucleares.

O procedimento inicial será o mesmo tanto para torcedores estrangeiros – que geralmente tem um seguro de viagem que cobre despesas médicas – como para brasileiros.“O torcedor estrangeiro será encaminhado, em princípio, para um hospital público, no sistema de emergência pública. Lá, recebendo o tratamento emergencial, se houver necessidade de ele ser transferido para outro hospital do interesse dele e se ele tiver condição clínica para isso, aí sim ele será encaminhado para outra unidade”, disse o diretor.

A população paranaense, segundo ele, não será prejudicada pelo esquema montado para o atendimento médico na Copa do Mundo. “Não terá problema nenhum. A população vai continuar utilizando o serviço de emergência normalmente. As UPAs [Unidade de Pronto Atendimento], os hospitais de referência e o Samu [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência] funcionarão regularmente, com o mesmo número de ambulâncias. Não haverá diminuição de assistência. Esse evento, em especial, necessita de um reforço de assistência, o que não significa redução do serviço de rotina”, falou Filipak.

Já a rede municipal de saúde informou que as unidades básicas localizadas mais perto da Fan Fest e do estádio terão os horários estendidos até as 22h. “Em caso de um acidente com múltiplas vítimas temos um plano de ação para bloquear uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas mais próxima. Os Hospitais do Trabalhador, Cajuru e Marcelino Champagnat também já entregaram seus planos de contingência para múltiplas vítimas”, informou a Secretaria Municipal de Saúde. No caso de atendimento com convênio ou particulares, serão acionados os hospitais Vita Batel e Marcelino Champagnat.

Segundo o órgão, próximo à Arena da Baixada, serão montados um posto médico avançado e três unidades móveis de atendimento pré-hospitalar. Equipes extras estarão a postos para atendimento ao redor do estádio e da Fan Fest.

Os telefones de emergência em Curitiba são o 192 (Samu) e 193 (Siate – Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência).