Por Luiz Henrique de Oliveira e Bruno Henrique

O sonho de conseguir a casa própria foi concretizado, mas tornou-se um pesadelo com o passar dos anos para cerca de quatro mil famílias moradoras em 26 loteamentos em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba. O aumento anual no valor da parcela mensal causa, segundo as famílias, endividamentos e até perda dos lotes por meio de ações de reintegração de posse. Para tentar uma solução, representantes das famílias fazem uma manifestação na manhã desta quinta-feira (4), em frente ao Fórum da cidade.

O mecânico industrial Moysés Solominski, por exemplo, comprou um lote em 1996, dando uma entrada de R$ 50 mil e pagando uma parcela inicial de R$ 100. “Agora, cerca de vinte anos depois, a parcela está no valor de R$ 500. Muitas pessoas não sabem o que fazer e, por isso, estamos acampando em frente ao Fórum de São José dos Pinhais, para tentar uma renegociação no valor dos juros”, afirmou à Banda B.

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Famílias acampam em frente ao Fórum (Foto: Bruno Henrique – Banda B)

Os lotes das famílias afetadas estão localizados em bairros como Planta São Marcos, Jardim Fênix e o Jardim Lúcia. “Fiquei desempregada por quatro anos e não tive como arcar com a parcela, o que me levou a acumular dívidas. Comecei pagando R$ 500 e hoje passa dos R$ 1,3 mil”, disse a técnica em enfermagem, Silvana de Fátima Conceição, que não consegue mais ter renda para arcar com o valor mensal.

Também presente em frente ao fórum, Nelson Luiz de Souza, morador no Jardim Lúcia, discordou das reintegrações de posse que estão acontecendo. “Teve gente que comprou só o lote e ergueu uma casa, gastando muito dinheiro. A reintegração não pode acontecer desta forma, por conta de dívidas acumuladas devido a um juro abusivo. Queremos uma renegociação”, opinou.

Durante o dia de hoje, os manifestantes prometem ir até a Câmara Municipal para conseguir o apoio dos vereadores de São José dos Pinhais.

Nenhum representante do grupo de imobiliárias questionado se manifestou até o momento sobre o protesto dos proprietários.