Por Elizangela Jubanski e Bruno Henrique

Proibidos de entrar em greve, aproximadamente 200 agentes penitenciários se reuniram em frente ao Palácio Iguaçu, no Centro Cívico, em Curitiba, na manhã desta quarta-feira (22) para protestar. Eles reivindicam melhores condições de trabalho, contratação imediata de mais agentes e o cumprimento de outras medidas que, segundo eles, já tinham sido discutidas com o Governo do Estado. Além dos profissionais, familiares também participam do ato. Os agentes foram proibidos de entrar em greve, por meio de uma liminar, que classificou como ilegal.

No local, os agentes montaram uma estrutura com toldo para os manifestantes, que carregam faixas e placas: “23 rebeliões, 46 agentes reféns: não suportamos mais”. Os agentes caminharam até a Secretaria de Justiça e chamaram atenção com o movimento intitulado ‘algemaço’, que pede melhorias em todo o sistema prisional. Nos últimos meses, ocorrem rebeliões nas cidades de Maringá, Guarapuava, na região metropolitana de Curitiba, em Piraquara, e na mais violenta do ano que deixou cinco mortos, em Cascavel. Em Francisco Beltrão, no início dessa semana, o motim foi rapidamente contido.

O presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen) Antony Johnson relatou à Banda B que o trabalho dos agentes penitenciários está cada vez menos seguro. “O sistema penitenciário há 4 anos está abandonado, não tivemos políticas efetivas. Os números no computador podem ser bonitos, mas a prática no sistema penal no Paraná está um verdadeiro caos. Em 10 meses, 23 rebeliões, 46 agentes feitos reféns. Nós não aguentamos mais”

Para eles, um dos apontamentos de melhoria seria a criação de uma secretaria própria. No entanto, segundo o presidente da Sindarspen, as propostas do Governo são tímidas. “Essa secretaria própria acontece em São Paulo, Minas Gerias, Rio Grande do Sul. Precisamos de pessoas que entendam de segurança. Precisamos da contratação imediata de mais agentes e uma redução das unidades que estão superlotadas em todo o Paraná. O problema é que todas as propostas são ainda muito tímidas”, finaliza.

Impedidos

A Justiça ratificou uma liminar concedida em 2013 para impedir a paralisação dos agentes penitenciários do Paraná, marcada para esta segunda (29). De acordo com o juiz Edson Macedo Filho, responsável pela ação, o anúncio da greve é uma recusa ao cumprimento da liminar anterior, deferida pelo magistrado Rogério Ribas, o que caracteriza o movimento como ilegal.

O despacho pede a intimação pessoal do presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen). Além disso, autoriza o bloqueio de repasse dos valores descontados mensalmente dos trabalhadores ao sindicato para o pagamento da multa de R$ 50 mil por dia em caso de paralisação.