O Compra Direta – Programa de Aquisição de Alimentos representa a garantia de inclusão social, geração de renda e o escoamento da produção para os pequenos agricultores, inclusive para os que estavam excluídos do processo produtivo. É o caso da Comunidade Quilombola Manoel Ciríaco dos Santos, no município de Guaíra, no Oeste do Paraná, onde o programa assegura trabalho e renda para 60 pessoas. Apenas em 2013, o Compra Direta está investindo R$ 26 milhões na aquisição de alimentos da agricultura familiar, produtos que são repassados a entidades socioassistenciais em todo o Paraná.

“Há 50 anos eles chegaram a Guairá, em busca de uma propriedade, após fugirem de condições análogas à escravidão. Durante muito tempo estiveram completamente excluídos e segregados. Hoje, há trabalho e renda para todos os moradores graças ao Compra Direta. Também garantem a melhoria da condição nutricional das comunidades indígenas para as quais repassam os alimentos produzidos, explica a coordenadora estadual do programa, Valéria Nistche, da Secretaria de Trabalho, Emprego e Economia Solidária.

Nesta comunidade quilombola, o plantio, a colheita e a produção são compartilhados. “Eles preservam tradições antigas. Tudo é dividido em partes iguais. Os moradores têm horta irrigada onde plantam cenoura, beterraba, cebolinha, salsa, alface, mandioca, cará, batata-doce e milho, tudo orgânico. Para fertilizar a lavoura, o esterco é usado na compostagem, misturado a outros insumos”, observa Valéria Nitsche.

O coordenador da comunidade, Adir Rodrigues, explica que dos alimentos produzidos por homens e mulheres, parte é consumida pelo grupo e o excedente é vendido ao Compra Direta. “Antes de participarmos do Programa, muitas pessoas nos viam como incapazes de produzir e comercializar. A partir do Compra Direta nós renascemos, conseguimos nos firmar como comunidade, como pessoas que sabem preservar as suas raízes, a natureza, capazes de produzir, vender e de ampliar nosso trabalho e a nossa renda”.

Segundo o diretor do Departamento de Segurança Alimentar e Nutricional da Secretaria do Trabalho, Carlos Manuel Vasconcelos Santos, conhecer o trabalho e o modo de vida da comunidade quilombola permite ter a dimensão da importância das comunidades tradicionais em nosso Estado. “Conhecer de perto a realidade e a garra dessas pessoas que lutam para sobreviver e manter acesa a sua tradição, sua forma de viver, de interagir, foi uma experiência extremamente enriquecedora”, destacou.

Valéria Nitsche lembra que o programa tem como entre seus públicos-alvo as comunidades quilombolas. “Fiquei impressionada com a capacidade de organização, de trabalho e de luta dessa comunidade. Vamos trabalhar para que outras políticas de incentivo ao trabalho e renda cheguem aqui também, como aconteceu com o Compra Direta”.

COMUNIDADE – A comunidade quilombola Manoel Ciríaco dos Santos tem 10 alqueires e segundo Adir Rodigues foi comprada pelo pai dele há 50 anos. “Ele veio em busca de um pedaço de chão e de liberdade. Aqui, vivem os integrantes do nosso grupo – são filhos, noras, netos, genros, primos e sobrinhos”.

Manoel Ciríaco dos Santos é uma das poucas comunidades quilombolas legalmente reconhecidas no Estado. O processo de reconhecimento iniciou em 2005, mas somente em 2007 foi oficializado. “Desde o momento em que iniciamos o processo de reconhecimento sofremos muito com preconceito, ameaça de morte e resistência dos moradores da região. Agora, a nossa comunidade é reconhecida e temos mais perspectiva de futuro”, explicou Adir Rodrigues dos Santos.

No Paraná, há mais de 80 comunidades quilombolas identificadas. Destas, 36 já foram reconhecidas pela Fundação Cultural Palmares.

COMPRA DIRETA – O Compra Direta – Programa de Aquisição de Alimentos, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, é executado em parceria com o Governo do Estado e tem como objetivo fortalecer a agricultura familiar e complementar a alimentação ofertada em instituições sociais e entidades que atendem o público de baixa renda.

No Paraná, o Programa tem como órgão gestor a Secretaria Estadual do Trabalho, Emprego e Economia Solidária, em parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), a Central de Abastecimento (Ceasa) e o Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea-PR).

No Paraná, são beneficiados 9.811 agricultores familiares e 3.025 entidades assistenciais, em 281 municípios.

Saiba mais sobre o trabalho do governo do Estado em: www.facebook.com/governopr ewww.pr.gov.br