Por Felipe Ribeiro e Juliano Cunha

Os professores da rede municipal de ensino e a Prefeitura de Curitiba não chegaram a acordo na tarde desta segunda-feira (11) e a categoria decidiu manter a greve por pelo menos um dia. Logo após a reunião, que durou cerca de uma hora, os professores se reuniram em assembleia na Praça Nossa Senhora de Salete e decidiram por ampla maioria manter a paralisação.

greveprofessores

Foto: Juliano Cunha – Banda B

O principal motivo que levou a categoria à greve é o prazo para implantação integral do novo Plano de Carreira. Eles pedem que o plano seja implementado a partir de 2015, mas o prefeito Gustavo Fruet afirmou que a implantação vai acontecer ao longo de 24 meses. Reivindicação antiga, o novo plano garante ao profissional do magistério melhor remuneração e crescimento linear por titulação e valorização.

De acordo com o secretário Municipal de Governo, Ricardo Mcdonald Ghisi, não há possibilidade orçamentária de se implementar o plano dentro do prazo que a categoria pede. Nesta segunda-feira, segundo a prefeitura, aproximadamente 39 mil alunos ficaram sem aulas.

Em entrevista à Banda B, a diretora do Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (Sismmac), Andressa Fochesatto, os professores irão se reunir na terça-feira na Câmara Municipal para pedir que um projeto de lei possa contemplar a reivindicação. “A educação na campanha é sempre prioridade e é isso que queremos, que os professores recebam a devida atenção orçamentária. Vamos esperar para ver se não é realmente possível que o plano seja implementado e avaliar. Orientamos que os pais não levem os filhos para as aulas para voltarmos na quarta-feira”, disse.

A Prefeitura de Curitiba, por sua vez, orientou os pai a mandarem os filhos sim para as aulas normalmente, que todos os esforços para atender as famílias serão feitos.

Outro lado

Por meio de nota postada em seu site, a Prefeitura de Curitiba informou que os ganhos salariais dos professores municipais chegarão a ultrapassar os 56%, ao longo de dois anos, com a implantação do Plano de Carreira proposto pela Prefeitura. Esse é o caso real de uma professora com mestrado e 27 anos de profissão. Hoje, essa professora recebe R$ 2.973, e com o novo plano passará a receber R$ 4.644, para uma jornada de 4 horas de trabalho por dia. O salário é maior que o de várias faculdades.

Os ganhos são distribuídos ao longo de 24 meses, mas começam imediatamente após a aprovação do Plano pela Câmara Municipal e são para 100% dos professores. O caso real de professor em início de carreira, por exemplo, com 8 anos de serviço e somente com o curso superior, sem especialização e sem mestrado, sai de um salário de R$ 1.853 para R$ 2.011 (aumento de 11,58%).

Para um professor que também tem somente o curso superior, mas está há 14 anos na carreira, o aumento é de 36,74%: o salário passa de R$ 1.958 para R$ 2.677. Com uma especialização e 21 anos de Magistério, o ganho é de 53%: passa de R$ 2.315 para R$ 3.561. Todos esses casos são reais e correspondem à jornada de trabalho de 4 horas por dia, ou seja 20 horas semanais. Como muitos professores fazem 40 horas, o valor dobra, projetando para a aposentadoria, no caso de quem tem mestrado, somando os vários outros benefícios, um salário próximo de 12 mil reais.

“Esse plano é um avanço histórico, e não pode ser ameaçado pelo imediatismo”, disse a secretária de Educação, Roberlayne Robalo, ao explicar aos professores que, apesar da greve iniciada nesta segunda-feira (11), a implantação deve seguir o calendário enviado à Câmara, ou seja, em quatro etapas, que podem levar até 24 meses mas, em qualquer hipótese, se concluem dentro do período do prefeito Gustavo Fruet na Prefeitura.