Por Elizangela Jubanski e Djalma Malaquias

Pais, familiares e professores da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) do bairro Costeira, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, protestaram na manhã desta quinta-feira (16) na Câmara Municipal. Vestidos com camisetas pretas, cerca de cinquenta pais participaram da sessão plenária com o objetivo de pressionar os vereadores do município quanto à liberação de recursos para a associação.  As aulas começam na próxima segunda-feira (20) e a unidade escolar que realizar as atividades com alunos excepcionais está abandonada, segundo os manifestantes.

A falta de estrutura é o ponto mais crítico entre as reivindicações. Profissionais denunciam a ausência de barras de apoio em banheiros, refeitórios que não oferecem espaço compatível, acúmulo de atividades dos profissionais, atraso nos salários e falta de solução para o transporte dos alunos.

Presente da manifestação, Edna Aparecida da Silva é mãe de uma criança de 9 anos que possui deficiência de locomoção e utiliza o ônibus, disponibilizado pelo município, para ir à escola. “É só sucata, não tem condições de eles andarem nesse ônibus, estão correndo risco de vida. O tanque do ônibus caiu no meio da avenida, pense que esse tanque explode, o que ia ser? Estamos aqui pedindo isso, antes que algo pior aconteça”, contou à Banda B.

Os dois ônibus que faziam o transporte das crianças foram reprovados devido ao tempo de uso e não estão impossibilitados de realizar o trajeto. A representante da Comissão de Pais da APAE, Marjorie Vigo, afirmou que 40% das crianças atendidas pela APAE Costeira precisam do transporte. “Temos dois ônibus que não passaram na vistoria e eles têm mais de trinta anos e não poderiam mais rodar. Ele foi, então, impedido de andar e mais de 40% dos nossos alunos não têm condições de vir para a escola sem o transporte coletivo. Quem puder levar as crianças as aulas vão acontecer, mas muitos não conseguirão levá-las”, finalizou.

Ao todo, 205 crianças são atendidas pela APAE Costeira, que também enfrenta problemas na estrutura. Segundo Marjorie, o local não possui profissionais nas especialidades de fisioterapia, psicologia, fonoaudiologia e terapia ocupacional suficientes para atender a todos os alunos, o refeitório é utilizado por escala e os banheiros não são adaptados. “Fazemos rodízio, muitas vezes os alunos lancham na sala porque não tem espaço para todos. São vários problemas que a gente vem passando, como problemas na estrutura também, os banheiros, por exemplo, banheiros que não têm barra de apoio, nada adaptados às condições dos alunos. Nesses últimos meses, até salário atrasado a gente enfrentou. Por isso, viemos todos de preto, em forma de luto, em silêncio, para acompanhar essa sessão na Câmara e pedir um olhar mais carinhoso das nossas autoridades para nossa APAE que está completamente abandonada”, finaliza.