A produção industrial do Paraná caiu 5,5% em fevereiro deste ano, comparado com o mesmo mês de 2012. No Brasil, o recuo foi de 3,2% conforme mostra a Pesquisa Industrial Mensal Regional – Produção Física (PIM-PF), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgada nesta sexta-feira (5).

Foi a nona redução seguida no Paraná, e a quinta pior colocação na classificação nacional, à frente apenas do Espírito Santo (menos 13,4%), Minas Gerais (queda de 9,8%), Pará (menos 7,2%) e Pernambuco (menos 6,0%). “O recuo é explicado pela base de comparação bastante elevada, de fevereiro de 2012, quando o setor manufatureiro regional estava ainda bastante aquecido”, explica o economista Gilmar Lourenço, diretor-presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). “Só a título de exemplo, naquele mês, a produção da indústria gráfica do Paraná cresceu 126,2%”, ressalta Lourenço.

O comportamento adverso resultou da variação negativa de sete dos 14 segmentos pesquisados: edição e impressão (que apresentou recuo de 54,1%), veículos (queda de 10,2%), refino de petróleo e álcool (menos 9,4%), celulose (menos 7,7%), metalurgia (com queda de 6,7%), alimentos (queda de 3,5%) e minerais não metálicos (menos 2,3%).

REPRODUÇÃO DO PAÍS– Segundo o presidente do Ipardes, os números de fevereiro da PIM-PF demonstram a reprodução plena no Paraná da situação de encolhimento da produção industrial brasileira. “Isso é reflexo do encurtamento da demanda externa, maximizada com a crise na Europa, da perda de competitividade das exportações e dos ganhos concorreciais das importações por conta do câmbio valorizado, e da exaustão da política de incentivo ao consumo via desoneração tributária implmentada pelo governo federal”, analisa Gilmar Lourenço.

Na comparação de fevereiro com janeiro de 2013, a queda da produção industrial paranaense foi de 2,2%. No país, a retração foi de 2,5% – a mais acentuada desde dezembro de 2008. O Paraná se posiciona como o sexto maior declínio entre os 13 estados brasileiros acompanhados pela pesquisa. Em 11 deles foi registrado recuo na produção industrial. Esse desempenho ofuscou em parte a variação de 10,9% observada no mês de janeiro de 2013.

ACUMULADO NO BIMESTRE– O indicador acumulado no primeiro bimestre de 2013 revelou retração de 4,7% na produção paranaense, ante crescimento de 1,1% para a indústria do País. Foi o segundo pior resultado, melhor apenas que o do Espírito Santo (com queda de 10,7%).

A contração foi determinada por seis dos quatorze segmentos. Tiveram quedas edição e impressão (45,8%), celulose (6,4%), borracha e plástico (5%), refino de petróleo e álcool (3%), minerais não metálicos (2,6%) e metalurgia (2,1%).

Já no desempenho acumulado em doze meses até fevereiro de 2013, o parque manufatureiro regional decresceu 6,0%, diante de queda de 1,9% para o complexo nacional. Foi a terceira maior redução no conjunto do País, superada apenas por Espírito Santo (queda de7,6%) e Amazonas (6,9%).

“O resultado é decorrente da pronunciada retração da indústria metalmecânica, particularmente no último quadrimestre do ano passado, por conta da política econômica punitiva ao investimento, implementada pelo governo federal, e da base de comparação aquecida, verificada no segundo semestre de 2012”, explica Gilmar Lourenço.

Oito das quatorze divisões industrias pesquisadas experimentaram declínio de produção neste indicador, notadamente edição e impressão (32,3%), veículos automotores (11,6%) e química (6,3%).

AUTOMOBILÍSTICA– No caso da indústria automobilística, as fábricas reduziram a produção em fevereiro, depois do movimento crescente de janeiro, direcionado à recomposição dos estoques do varejo, com a expectativa de aumento gradual do IPI a partir de abril. Providência que foi suspensa no final de fevereiro.

O retorno da curva positiva da produção industrial do Paraná, iniciada no mês de janeiro e revertida em fevereiro de 2013 depende, fundamentalmente, da melhoria dos parâmetros externos que afetam o ciclo de negócios regional, especificamente a recomposição da capacidade de crescimento duradouro da economia brasileira e o abrandamento da turbulência internacional.

Gilmar Lourenço explica que o empuxe do setor fabril paranaense também acontecerá em linha com os componentes intrínsecos ao funcionamento da sua matriz produtiva, principalmente o mercado de trabalho, o agronegócio (com a mistura entre supersafra e elevadas cotações internacionais dos alimentos), os efeitos da aceleração das obras de restauração e ampliação da competitividade da infraestrutura, por parte do governo estadual, e a continuidade da maturação da carteira de aproximadamente R$ 21,0 bilhões de investimentos industriais privados, conquistada e abrigada pelo Programa Paraná Competitivo, a partir de 2011.