Um dia após a americana Angelina Jolie anunciar que irá passar por uma cirurgia de retirada dos seios para reduzir os riscos de desenvolver câncer de mama, o debate em torno do exame utilizado pela atriz e os riscos para qual foi submetida voltaram à tona em todo o mundo nesta quarta-feira (15). Para o mastologista do Hospital Vita de Curitiba, Vinicius Milani Budel, ela possuía vários caminhos a seguir e optou por aquele que acreditou ser o que mais adequado para a sua situação, já que no Brasil o exame pode custar até R$ 6 mil.

BBC

Em entrevista ao jornalista Adilson Arantes durante o Jornal da Banda Bdesta quarta, Budel explicou que o câncer de mama é uma doença crônico degenerativa que atinge principalmente mulheres acima dos 60 anos, mas que leva anos para ser adquirida. “A Angelina faz parte de um grupo de aproximadamente 5% de mulheres em que através de um exame é possível prever a doença. No caso dela, foi decorrente da hereditariedade, já que a sua mãe desenvolveu o câncer”, comentou.

Segundo o médico, não existe a certeza de que ao tirar esta glândula mamária, como no caso da atriz, de acabar com a chance do câncer. “O procedimento adotado por ela, diminui a chance da doença se desenvolver, mas ela poderia optar por outros caminhos, como acompanhar radiograficamente, esperar até de fato ter um tumor para retirá-lo, e o de sempre fazer exames controlados”, disse.

Recomendações

Para a população como um todo, o mastologista fez um alerta, que é o de estar sempre em contato com médicos na prevenção. “É importante que a gente entenda que a Angelina optou por este tratamento após fazer várias consultas com geneticistas, com o seu cirurgião plástico e chegou a sua melhor solução. Então a recomendação que fica é a de que todos procurem um médico e sempre mantenham uma vida saudável”, disse.

O exame

Segundo o bioquímico Marcos Kozlowski, do Laboratório de Análise Clínicas (Lanac), este exame é um grande avanço na prevenção de doenças. “Nós o chamamos aqui de medicina personalizada. Ele funciona tanto para a prevenção, quanto para o tratamento a partir da coleta do material genético”, comentou.

Mas uma questão ainda coloca em cheque o exame: o preço. De acordo com Kozlowski, ele custa de R$ 1,5 mil a R$ 6 mil, mas que começa a ser difundido no Brasil. “Dependendo do resultado esperado, o exame pode demorar de 15 a 120 dias, mas ganha espaço e pode prevenir várias doenças”, concluiu.