Por Marina Sequinel e Flávia Barros

(Imagem ilustrativa/Arquivo AEN)

A discussão sobre o excesso na jornada de trabalho no Corpo de Bombeiros voltou à tona com o caso de uma tenente que foi detida após passar mal e pedir licença do posto. A situação, que revoltou colegas da profissão, foi registrada na zona Oeste do Rio de Janeiro no último domingo (8). Melissa Real, que trabalha como enfermeira, cumpria as 24 horas de serviço quando informou que não se sentia bem e pediu para ser dispensada. Depois da recusa, a enfermeira alegou que não tinha condições de continuar e recebeu voz de prisão.

De acordo com o presidente da União de Praças dos Bombeiros e da Polícia Militar do Paraná, Henry Francis, os impactos emocionais e físicos causados pelo excesso de trabalho é um problema geral das instituições militares. “A jornada de plantão é de 24 horas por 48 de descanso. A média semanal fica em torno de 60 horas, o que é muito pesado para os servidores. Nós temos lutado muito para que esse número seja readequado”, disse em entrevista à Banda B.

Ele defende um projeto de lei que propõe mudar a carga horária para 30 horas semanais – seis diárias, tanto para bombeiros quanto para policiais. “No Brasil, poucos estados têm a escala de 24 por 48 e o Paraná é um deles. Existem estudos que mostram que, pela natureza da profissão, a partir da sexta hora trabalhada no dia o número de acidentes aumenta significativamente, principalmente porque a atividade exige muito dos trabalhadores. Nós queremos que a sociedade tenha o servidor na sua condição mais plena”, completou.

Para garantir a saúde física e mental dos profissionais, o Corpo de Bombeiros participa de eventos sobre prevenção ao suicídio e atendimento psicológico que lida com o estresse gerado na atividade.

Sobre a reivindicação mencionada pela União de Praças, a Banda B entrou em contato com a corporação e aguarda retorno.