Por Felipe Ribeiro

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Prestes a se mudar para uma casa do bairro Água Verde, em Curitiba, um casal gay sofreu um ataque homofóbico na manhã desta quinta-feira (13). Folhetos apontando que uma “baixaria” estaria se mudando para a rua foram distribuídos por várias casas, o que pegou de surpresa e revoltou não só o casal, como milhares de outras pessoas nas redes sociais.

À Banda B, o jornalista João Pedro Schonarth relatou que é casado com o companheiro há sete anos e que nunca imaginou passar por isso. “É muito difícil acreditar que existam pessoas que possam desejar fazer o mal para o outro, julgando apenas uma característica, que é a orientação sexual”, lamentou.

O casal comprou o sobrado em setembro do ano passado e passou a acompanhar todos os passos da construção. Vários dos folhetos apócrifos (sem assinatura) desta quinta foram jogados na calçada localizada na quadra em que a casa é construída.

João postou a foto de um desses folhetos no Facebook e a imagem teve mais de 700 compartilhamentos, a maioria de revolta, nas redes sociais. O panfleto diz: “A sua rua será mais ‘alegre’!!! Todos os dias nos passeios matinais ou dos finais de tarde terá a visão para inspirar e influenciar toda a vizinhança. Você, seus filhos, seus netos e amigos. E se fazem isso em público, imaginem o que fazem quando estão a sós. Ou com os amigos mais próximos. O com as pessoas próximas a você”, questiona o cartaz que ainda aponta o endereço do que descreve como “baixaria”.

Schonarth contou que o casal está até mesmo aguardando o processo de adoção e que possui mais semelhanças que diferenças com as demais pessoas. “Eu tenho os mesmos sonhos de ter uma casa e uma família como qualquer pessoa. Se por uma característica, julgam ser diferente e se acham no direito de agredir. A gente acredita que homofobia é só uma violência física, mas esse mexe com a dignidade. Você se sente ameaçado por alguém que não tem a coragem mínima de colocar o nome no papel”, disse.

Diante da situação, o casal irá buscar ajuda do Ministério Público do Paraná (MP-PR). Nesta quinta, boletim de ocorrência já foi registrado junto à Delegacia dos Vulneráveis, que é vinculada a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa.