Detentos do Paraná poderão ensinar outros presos a ler e escrever. A Secretaria de Estado da Educação publicou nesta terça-feira (23) edital para seleção de alfabetizadores voluntários e de apenados que queiram monitorar turmas de alfabetização em unidades do Sistema Penitenciário do Paraná. Pela primeira vez, a seleção de presos alfabetizadores conta com edital específico.

A iniciativa, em parceria com a Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Paraná, acontece desde agosto do ano passado, pelo Programa Paraná Alfabetizado. A meta é erradicar o analfabetismo entre a população carcerária do Paraná e também ajudar na remição da pena dos presos. “No ano passado, a seleção dos monitores seguiu regra igual das turmas formadas para a comunidade e nos adaptamos para ofertar a monitoria no Sistema Penal. Este ano, com o edital próprio, muitas das especificidades das rotinas nas penitenciárias estão contempladas”, afirmou Glacélia Quadros, coordenadora de Educação, Qualificação e Profissionalização de Apenados.

Atualmente são atendidos 506 presos dos 799 não alfabetizados. Até o ano passado, a alfabetização de detentos era ofertada apenas pelos Centros de Educação Básica para Jovens e Adultos responsáveis pela escolarização no Sistema Penal, o que não era suficiente para atender à demanda. Já participaram 27 presos como monitores, em 38 turmas, com aproximadamente 200 apenados em processo de alfabetização somente com a monitoria de outros presos. O serviço está disponível em 14 unidades penais.

BOLSA – Para ser monitor de turma o preso deve ter ensino médio completo, no entanto, a Secretaria da Justiça recomenda que presos com ensino superior se candidatem para a monitoria. Os cursos terão duração de oito meses e carga horária de, no mínimo, 320 horas-aula. Os monitores receberão bolsa-auxílio.

“A função de monitor de alfabetização foi criada para que os presos monitores ajudem na alfabetização dentro dos espaços de restrição, em que outros educadores são impedidos de entrar”, explica Edilson Gomes Costa, técnico do Departamento de Educação Básica da Secretaria.

Para garantir a assistência educacional ao apenado, os voluntários receberão formação inicial, participarão de reuniões pedagógicas para estudo, avaliação das ações desenvolvidas e aprimoramento da prática pedagógica no processo de alfabetização de jovens, adultos e idosos. Os monitores serão acompanhados por coordenadores pedagógicos.