A Penitenciaria Estadual de Londrina, unidade de regime fechado da Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, acaba de implantar um projeto de produção de materiais didáticos, com textos digitados e convertidos em Braille pelos detentos. O objetivo é promover a inclusão dos alunos com deficiência visual, da rede estadual de ensino no município.

O projeto, que é uma parceria entre o Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos e a Penitenciária de Londrina, segue o exemplo do projeto “Visão de Liberdade”, desenvolvido na Penitenciária Estadual de Maringá desde 2004 e já duas vezes premiado. Em agosto 2001, recebeu Prêmio Cidadania – Hebert de Souza, “Betinho”, do Programa ANABB. Em novembro daquele mesmo ano foi agraciado com o Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social.

Por meio do “Visão de Liberdade”, milhares de materiais didáticos adaptados para deficientes visuais, como livros em braile, audiolivros e materiais em alto relevo, são confeccionados por presos da Penitenciária de Maringá e distribuídos para 150 entidades de todos os estados brasileiros e para a Biblioteca Nacional de Lisboa.

REMIÇÃO DA PENA – Em Londrina, a elaboração dos materiais está sendo realizada na própria Penitenciária, com a participação de 15 presos, capacitados pelo Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos para digitação dos textos didáticos. Eles são os responsáveis pela produção de apostilas e livros das disciplinas aplicadas na escola.

A cada três dias de trabalho (6 horas diárias), os detentos têm um dia de remição da pena e recebem, também, pecúlio de R$30,00 mensais. Um familiar credenciado pelo preso pode retirar 80% do valor. Caso não haja o credenciamento para a retirada mensal, é depositado o valor integral numa conta poupança para que o próprio preso possa fazer o saque quando sair da prisão.

Uma sala de aula do Centro Estadual de Educação Básica de Jovens e Adultos Professor Manoel Machado, dentro da PEL, foi transformada em canteiro de trabalho e equipada com dez computadores, doados pela ONG E-LIXO, que auxilia na manutenção das máquinas. O projeto é administrado pela Divisão de Ocupação e Qualificação da unidade prisional.

Segundo o diretor da Penitenciária de Londrina, Elcio Basdão, para os presos é uma forma de contribuir com uma parcela importante da sociedade, que são deficientes visuais, que não poderiam ler, não fosse o trabalho específico da digitação em Braile. “O foco inicial é nas atividades de digitação de textos. Futuramente ampliaremos para a elaboração de outros materiais didáticos”, explica Basdão.

“A iniciativa teve ampla aceitação pela relevância e já foi lançado um concurso entre os presos para a escolha da logomarca e do nome do projeto”, informa Ivoneide Parra, diretora do Centro de Educação Básica de Jovens e Adultos Manoel Machado. Os Centros são responsáveis pelo ensino de detento das unidades prisionais da Secretaria da Justiça, desde a alfabetização até a conclusão do ensino médio.