A Secretaria Municipal de Saúde e a Comissão Municipal de Prevenção e Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids realizam nesta sexta-feira (17) a Vigília da Aids, evento que ocorre há 20 anos em Curitiba e marca a luta contra a doença. A vigília será na Boca Maldita, Centro de Curitiba, das 9h às 13 horas.

Assim como em todo o Brasil, na capital paranaense a aids voltou a preocupar em função do diagnóstico tardio, o que compromete a qualidade de vida do portador de HIV. Em 2012, foram diagnosticados na cidade 211 novos casos da doença – boa parte deles já em estágio avançado.

Para reverter este quadro, a Secretaria Municipal de Saúde está tomando uma série de medidas destinadas a conscientizar a população sobre a importância de fazer o teste de HIV/Aids sempre que houver exposição a uma situação de risco, como relações sexuais sem o uso de preservativos e o compartilhamento de seringas e outros objetos perfurocortantes.

“Com os avanços da Medicina e da tecnologia e a eficácia dos medicamentos, a população relaxou nos cuidados para evitar o contágio do HIV e de outras doenças sexualmente transmissíveis. E isso se percebe em todo o Brasil, não somente em Curitiba. É necessário retomar as antigas práticas de cuidado e prevenção”, disse o secretário municipal de Saúde, Adriano Massuda. Ele ressaltou que cerca de 35% dos novos casos de HIV são descobertos tardiamente e resultam em óbitos num período de até 90 dias após o diagnóstico.

Entre as ações que estão sendo desenvolvidas pela Secretaria da Saúde estão a ampliação do número de médicos no Centro de Orientação e Aconselhamento (COA), de quatro para sete profissionais; o fortalecimento da rede hospitalar, com a ampliação do número de consultas e de leitos para portadores de HIV/aids; a implantação dos exames para diagnóstico rápido nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), nos consultórios na rua, além de uma equipe móvel para fazer os testes nas organizações não-governamentais (ONGs) – hoje somente o COA oferece testes rápidos –, além de parcerias com as ONGs para ações promoção e prevenção das DSTs.

Estatísticas

Desde o início da campanha para prevenção da aids, na década de 80, Curitiba registrou 13.062 casos de aids/HIV. Destes, 2.398 morreram. Entre as capitais brasileiras, Curitiba está em 14.º lugar na taxa de incidência, com 27 casos para cada grupo de 100 mil habitantes – estatística do Ministério da Saúde em 2011. Porto Alegre (RS) e Florianópolis (SC) ocupam as primeiras posições do ranking, com 95,3 casos e 71,6 casos/100 mil habitantes, respectivamente.

“A taxa de incidência em Curitiba pode até não ser alta, quando comparada a outras capitais brasileiras, mas o diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais para que os portadores do vírus tenham uma boa qualidade de vida. O diagnóstico tardio, na maioria das vezes, é fatal”, enfatizou Massuda.

Segundo o diretor do Centro de Epidemiologia, Moacir Pires Ramos, a análise do perfil dos portadores de HIV mostra predominância dos casos entre homens, principalmente na faixa entre 15 e 24 anos, que têm relações homossexuais. “Nos últimos quatro anos, a incidência entre homens tem crescido o dobro no comparativo com as mulheres”, informa.

Ramos lembrou que os testes para diagnóstico do HIV estão disponíveis em todas as 109 unidades básicas de saúde de Curitiba, além do COA, que realiza os testes rápidos. “Todos os casos com resultado positivo são encaminhados para o atendimento especializado e a pessoa recebe toda a orientação necessária sobre o tratamento da doença, assim como os remédios, que são gratuitos”, explicou.