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Dinheiro de inscrições foi devolvida. Foto: Fundação Cultural de Curitiba / Alice Rodrigues)

O maestro Claudio Cruz, diretor do núcleo de música clássica da Oficina de Música de Curitiba, confirmou nesta quarta-feira, dia 21, o cancelamento do evento, que realizaria a 35ª edição em janeiro de 2017.

Ele deu a notícia em sua página no Facebook: “Após 34 anos ininterruptos, o prefeito eleito decidiu cancelar a oficina, alegando falta de recursos. Nesses últimos 15 dias, tentamos de tudo, mas nada mudou. Tivemos muitas inscrições, alto nível de alunos, grandes mestres contratados. Passagens compradas, programação feita, hospedagens reservadas, além das agendas dos artistas. Um desastre!”, acrescentou o maestro.

O Instituto Curitiba de Arte e Cultura (ICAC) informou que iniciou nesta quarta-feira (21) a devolução das taxas de inscrições referentes à Oficina. Também já iniciou a revisão ou cancelamento de contratos referentes à pré-produção do evento, que vão desde passagens aéreas, convites para professores e artistas, aluguel de espaços e apresentações.

A decisão foi tomada devido à fragilidade jurídica em que a Oficina se encontrava após reiteradas declarações do prefeito eleito, Rafael Greca,  de que não irá honrar o contrato e o pagamento da parcela referente a janeiro do próximo ano. Foram feitas diversas tentativas entre a atual gestão e o grupo de transição para se encontrar uma saída, inclusive com o redimensionamento financeiro da Oficina. Contudo, não houve acordo.

O prefeito Gustavo Fruet disse que lamenta profundamente o cancelamento da Oficina, para a qual já estavam inscritos mais de 1.600 alunos – um número recorde – e que também contaria com a participação de 122 professores. Fruet lembrou que a Oficina é uma tradição de 35 anos e  o principal evento da música no Brasil no mês de janeiro.”Pessoas de vários países organizaram suas vidas para estar em Curitiba em janeiro, motivadas pela importância da Oficina, que, sob a direção artística do reconhecido maestro Claudio Cruz, tem trazido nomes importantes da música no Brasil e no exterior”, afirmou.

“É um prejuízo inestimável, não apenas para a cultura, mas para a economia da cidade, pois afeta hotéis, bares, restaurantes e outros negócios. Essa decisão, forçada pelo posicionamento do prefeito eleito, abala a confiança para a realização do evento nos próximos anos”, afirmou o prefeito. Ele lembrou que em 2013, ao assumir, não encontrou recursos alocados para a Oficina, mas ainda assim assegurou a realização do evento.

Prefeito eleito

Na apresentação do secretariado nesta quarta-feira (21), O prefeito eleito de Curitiba Rafael Greca (PMN) reafirmou que a Oficina de Música deve ser adiada. “Eu vou adiar a Oficina de Música. Se o prefeito atual provisionar os recursos eu não me oponho à música. Mas eu não contrapor a saúde à música. Enquanto houver dor no espaço no espaço público não atendido não pode haver música”, alegou