As novas aplicações em poupança devem render menos que a inflação neste ano. Mesmo assim, a poupança deve manter a atratividade em relação a outros tipos de investimentos, na avaliação do vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira.

Ao serem consideradas as projeções para a taxa básica de juros, a Selic, em 7,25% ao ano, e para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – a inflação oficial do país – em 5,5%, em 2013, o rendimento da poupança deve ficar em 5,08%, uma perda de 0,40% em relação à inflação, no ano. Para quem ainda tem depósitos antigos da poupança, o rendimento neste ano será o mesmo de 2012: 6,17% ao ano.

Em maio de 2012, o governo definiu que os depósitos feitos até 3 de maio continuariam a ser remunerados pelas regras antigas – Taxa Referencial (TR) mais 0,5% ao mês. Os depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012 só têm a mesma regra de remuneração quando a taxa básica de juros, a Selic, for superior a 8,5% ao ano. Atualmente, a Selic está em 7,25% ao ano. Assim, a remuneração, pela nova regra, é 70% da Selic mais a TR. No site do BC, é possível conferir a remuneração de acordo com a data de aniversário da poupança caderneta.

Para Oliveira, continua valendo a pena aplicar em poupança porque as demais aplicações também tiveram redução nos rendimentos líquidos. Ele lembra que a poupança é isenta do Imposto de Renda e de taxa de administração cobrada pelos bancos, diferentemente dos fundos de investimento. “Nesse caso, há incidência de Imposto de Renda que chega a atingir 22,5% do rendimento para aplicações de até seis meses mais taxa de administração cobrada pelos bancos que chega a atingir 4% ao ano em alguns fundos. O padrão [da taxa de administração] é de 2,5% ao ano o que faz o rendimento líquido desses fundos ser inferior ao da caderneta de poupança”, explicou.

Em 2012, mesmo com as novas regras de remuneração, os depósitos em poupança superaram os saques em R$ 49,719 bilhões em 2012, de acordo com dados do Banco Central (BC). Foi a maior captação líquida registrada na série histórica do BC, iniciada em 1995. Em 2011, o resultado havia sido R$ 14,186 bilhões e anteriormente a maior captação líquida da poupança tinha sido em 2010: R$ 38,681 bilhões.