Por Elizangela Jubanski e Antônio Nascimento

Os funcionários da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar) deflagraram uma greve por tempo indeterminado a partir desta quinta-feira (1º). Cerca de 60% do efetivo está de braços cruzados e afirma que não voltará ao trabalho até que uma determinada cláusula contratual seja aceita pela diretoria da Celepar. Para os paranaenses, a greve afeta sistemas eletrônicos do Estado como a realização de Boletim de Ocorrências, emissão de Carteiras de Identidade, 2ª via de multas, IPVA, extratos do Detran-PR e todos os serviços oferecidos pelo Governo do Estado.

Desde às 6 horas em frente a empresa, na rua Nilo Peçanha, no Centro Cívico, em Curitiba, funcionários usam carros de som e faixas para chamar atenção.  O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Informática e Tecnologia da Informação do Paraná (Sindpd-PR), Júlio Cesar, afirmou que uma cláusula que fere os direitos dos trabalhadores é uma das motivações para a greve.

“Estamos aqui aqui hoje por causa de uma intransigência da empresa em não querer que conste no nosso acordo, que é uma cláusula já determinada desde 2012, a demissão motivada. A empresa não aceita que essa cláusula, que não é social nem econômica, conste no nosso acordo. Nós só queremos que o funcionário tenha direito de se defender caso seja demitido”, descreveu.

A justificativa da categoria é que os trabalhadores da Celepar prestam concursos públicos para o cargo, mas mesmo assim precisam estar assegurado. “Embora seja CLT, temos todo direito como uma empresa mista de se defender caso a gente sofra assédio moral ou seja demitido injustamente. A demissão motivada é um direito conquistado no julgamento do dissídio coletivo, pelo qual ela não pode demitir sumariamente os funcionários, sem apresentar justificativas”, explicou o presidente.

Os trabalhadores pretendem também fazer uma caminhada em direção ao Palácio Iguaçu, sede do governo estadual. De acordo com informações repassadas ao Sindicato, a empresa estabeleceu por conta própria um esquema de contingenciamento e uma lista de profissionais e setores que não poderiam parar. Também colocou vans a serviço de buscar os trabalhadores em local próximo de estacionamento para terem acesso à empresa, com a finalidade se desviar dos manifestantes e burlar a paralisação. “Esse procedimento não tem nenhum amparo legal e para estabelecer qualquer contingenciamento, a empresa tem de recorrer à Justiça”, disse a integrante da direção colegiada do Sindipd-PR, Marlene da Silva.

A decisão de greve foi tomada em assembleia geral com a presença de mais de 700 dos cerca de 1.200 trabalhadores da Celepar no Estado. A empresa possui escritórios em dez microrregiões e o Sindicato estima que no segundo dia de greve aumente a adesão ao movimento, que começou hoje por Curitiba e Paranaguá.

Retorno

A Banda B entrou em contato com a assessoria de imprensa da Celepar e recebeu a seguinte nota:

  1. A companhia, atuando de acordo com a legislação vigente, tomou as providências cabíveis para que não haja descontinuidade dos serviços prestados ao Governo do Estado e aos cidadãos paranaenses.
  1. Em relação à pauta de reivindicações, foram realizadas mais de seis reuniões entre a empresa, o sindicato e a comissão de empregados. Em todas elas, a Celepar ofereceu meios para que não ocorresse a paralisação.
  1. No dia de hoje, 70% do quadro de pessoal, composto por cerca de 1.200 empregados, compareceram ao trabalho. Isto representa um número na ordem de 840 funcionários.
  1. A Celepar reitera que sempre esteve e que continua aberta ao diálogo, ao mesmo tempo em que está empenhada para que este impasse seja resolvido o mais breve possível.