Por Elizangela Jubanski e Djalma Malaquias

Cerca de 200 policiais civis estavam presentes em um ato de protesto que aconteceu na manhã desta terça-feira (21) em frente a Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV) no bairro Vila Izabel, em Curitiba. Eles estão se manifestando contra as investigações recentes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público do Paraná (MP-PR) que provocaram a prisão de investigadores da Polícia Civil e um delegado.

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(Foto: Djalma Malaquias – Banda B)

A mobilização foi organizada pela Associação dos Delegados de Polícia do Paraná (Adepol), pelo Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná (Sidepol) e também pelo Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol). A rua Tamoios foi totalmente bloqueada para a manifestação e o grupo usou um carro de som durante o movimento.

O presidente da Adepol, João Ricardo Képes Noronha, estava no ato e disse que os policiais não podem aceitar essas situações. “É o reconhecimento de toda a Polícia Civil do estado do Paraná a um ato de constrangimento ilegal, desencadeado a partir da atuação de promotores do Gaeco. Alguma coisa está errada, e por isso, temos hoje quatro mil policiais paralisados para esse ato em sinal de protesto à intolerância, ao arbítrio e ao efeito midiático que estão sendo feitas por aquele órgão”, disse.

Ex-chefe da Divisão de Crimes Contra o Patrimônio (DCCP), o delegado Rubens Recalcatti foi preso no dia 13 de outubro em uma operação do Gaeco. Ele é investigado por suspeita de homicídio qualificado contra um homem que teria envolvimento na morte de João da Brascal, ex-prefeito de Rio Branco do Sul e primo do delegado. Além dele, outros oito investigadores também foram presos.

Também presente na manifestação, Roberto Ramirez, presidente do Sinpol, pede que o Ministério Público tenha cautela quanto às investigações. “Esse ato público é para chamar atenção das autoridades, tanto do MP, quanto ao Judiciário, que analisem melhor esses mandados de busca e prisão. Não podemos ser investigadores de dia e à noite estarmos na cadeia”, fecha.