Sob a alegação do caso estar sob sigilo de justiça, ainda há uma série de perguntas sem respostas no caso da chefe da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélica de Curitiba, presa ontem pelo (Núcleo de Repressão aos Crimes Contra a Saúde) da Polícia Civil. A doutoraVirgínia Helena Soares de Souza foi presa durante o trabalho e a única explicação da polícia até agora é que ela é acusada de facilitar a morte de pacientes.

Não se sabe quantos pacientes seriam, de que forma os crimes teriam sido cometidos, se há a participação ou não de outros funcionários e, principalmente, se haveria algum ganho financeiro para motivar a médica a praticar eutanásia.O caso ganhou repercussão nacional.

Em entrevista coletiva logo após a prisão, a delegada titular do Nucrisa, Paula Brisola, preferiu não entrar em detalhes sobre o caso. Segundo ela, manter o sigilo evita a desordem e não atrapalha as investigações ainda em andamento.

Hoje, a polícia deve começar a ouvir cerca de 30 funcionários da UTI, que trabalhavam com a doutora Virginia. A prisão da médica é temporária e, a princípio, deve durar 30 dias. Ela foi transferida para o Centro de Triagem de Piraquara, na região metropolitana de Curitiba.

Defesa

O advogado criminalista, Elias Mattar Assad, que assumiua defesa da dra. Virginia, disse que sua cliente “sempre agiu com ética e provará sua inocência”.

Reprodução RPC-TV
Viriginia é acusada de facilitar morte de pacientes

Na rede social facebook, Assad disse que Virgína trabalha desde 1988 na UTI sem nunca ter cometido qualquer falha. “Ela não praticou qualquer crime e a suspeita deriva de errada interpretação de escuta telefônica e/ou pessoas próximas não familiarizadas com procedimentos de UTI”, iniciou.

“Ela sempre agiu preservando vidas dentro da ética médica e dos critérios nacionais de terapia intensiva com criteriosas discussões dos casos com médicos assistentes e famílias dos pacientes. Provará sua inocência e a defesa tão logo ultimar os estudos, ingressará com pedido de liberdade”, complementou.

Evangélico

A assessoria do Hospital Evangélico informou que, como é um inquérito que corre em sigilo, a direção não tem conhecimento adequado dos fatos para emitir qualquer juízo.Foi instaurada uma comissão de sindicância interna para apurar os fatos denunciados.Quanto à profissional envolvida, o Hospital Evangélico reconhece a sua competência profissional, e até o momento desconhece qualquer ato técnico da mesma que tenha ferido a ética médica.A direção está à disposição desta investigação para quaisquer esclarecimentos necessários.

Ministério Público

O Ministério Público do Paraná informouque também acompanha as investigações criminais e vem adotando as providências necessárias junto aos órgãos públicos competentes para a garantia de continuidade e integralidade da assistência à saúde dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) no Hospital Universitário Evangélico de Curitiba.Para não prejudicar o andamento das investigações e tendo em vista o sigilo das informações contidas no procedimento, que inclui informações pessoais de pacientes, o Ministério Público não fornecerá, no momento, detalhes a respeito dos fatos em apuração.

Prefeitura

A Secretaria Municipal de Saúde abriu sindicância para investigar as irregularidades. A investigação será conduzida pelo auditor do Ministério da Saúde Mário Lobato da Costa. A secretaria também solicitou à diretoria do Hospital Universitário Evangélico a substituição da equipe de UTI Geral até a conclusão das investigações, em decorrência da prisão da médica-chefe do setor, nesta terça-feira (19). O caso corre em segredo de Justiça.

Um médico-observador será nomeado por uma junta administrativa – composta pela Secretaria Municipal de Saúde, Conselho Regional de Medicina e Sociedade Evangélica Beneficente. Esse médico acompanhará os serviços realizados pelo Evangélico a partir de agora.

Para suprir eventual dificuldade de atendimento no Evangélico, a Secretaria Municipal e a Secretaria de Estado da Saúde estão trabalhando em conjunto para colocar em funcionamento dez novos leitos de UTI no Hospital do Trabalhador.