Por Elizangela Jubanski e Juliano Cunha

Uma denúncia grave foi feita por pelo menos 10 gestantes na noite desta segunda-feira (24) no Hospital e Maternidade Victor Ferreira do Amaral, que fica no bairro Rebouças em Curitiba. a Polícia Militar (PM) teve de ser acionada para tentar resolver o problema gerado pela insatisfação das pacientes. Elas alegavam que, mesmo com 41 semanas de gestação, os médicos as estavam mandavam embora por falta de leitos na maternidade.

A cunhada de uma gestante de 18 anos, a educadora Vanessa Soares, explicou o porquê da revolta e disse temer pela saúde da sobrinha que está para nascer. “Eu me deparei com uma situação grave em que gestantes de 41 semanas eram mandadas para casa porque a maternidade estava cheia. Eles pediam para aguardar porque não estava na hora”, descreveu. Segundo ela, a cunhada precisava de uma cesárea urgente por causa da falta do líquido amniótico. ”Minha cunhada está aqui com uma ecografia e com um laudo médico dizendo que está com pouco líquido amniótico e precisa de uma cesárea urgente, mas o médico daqui está contrariando esse laudo e dizendo que ela não precisa de cesárea. Ele a mandou andar pelo hospital”, conta.

De acordo com Vanessa, o mesmo médico que se recusou a atender as gestantes, é o responsável pelo hospital. “Ele é grosseiro e trata mal as gestantes. Ele disse que não gosta de fazer cesárea e prefere o parto normal. Outra atendente disse que se a gente depende do SUS tem que se submeter a isso. A gente ligou para a polícia porque a gente vê todo dia criança morrendo por causa disso e eu não quero que minha sobrinha vire estatística”, defende.

Assim que trocou o plantão médico, durante a noite, outra equipe assumiu o prontuário das pacientes, segundo Vanessa. “A partir de então esses outros médicos começaram a atender todas as mulheres que estavam esperando”, contou. A cunhada de Vanessa passou a noite na maternidade e deu a luz por volta das 8 horas. “Ter trocado o plantão foi uma benção”, concluiu. Outras gestantes também tiveram seus filhos durante a madrugada.

Outro lado

A reportagem da Banda B entrou em contato com a maternidade na mesma noite e recebeu a informação de que nenhum responsável falaria com a equipe.  A Polícia Militar encerrou o atendimento à ocorrência depois de duas horas. Segundo eles, o Hospital e Maternidade Victor Ferreira do Amaral recebeu orientações e advertência sobre o caso.

Hoje, às 9h10, a reportagem da Banda B voltou a entrar em contato, desta vez, com a assessoria de comunicação responsável pelo Hospital e Maternidade Victor Ferreira do Amaral. Por volta das 11h30, a assessoria entrou em contato com a redação afirmando que a direção do hospital negou qualquer superlotação e afirmou que o atendimento no local estava normalizado. Sobre a paciente em questão afirmou que , segundo avaliação do médico plantonista, não seria necessário intervenção de cesárea e que não havia indícios de perda de líquido amniótico. Ainda, segundo a assessoria, os procedimentos do hospital estavam de acordo, o que resultou em um parto normal da jovem gestante da manhã de hoje.