Por Luiz Henrique de Oliveira

VALDIR

A diretoria do Sindicato das Classes Policiais Civis do Paraná (Sinclapol) promete definir em uma reunião, na tarde deste domingo (11), a paralisação das atividades da Polícia Civil a partir das 0h desta segunda-feira (12). O encontro entre os dirigentes sindicais na sede do Sinclapol, em Curitiba, deve delimitar como a greve acontecerá e quais serviços serão afetados. Segundo um dos diretores, Valdir Triana, depois da tragédia anunciada que aconteceu hoje em Colombo, onde um agente de cadeia morreu, alguma coisa precisa ser feita.

“Vamos paralisar a partir das 0h, porque não tem mais jeito. Tínhamos definido que se mais um policial morresse nós íamos parar tudo e não tem volta. O Eliel era um agente de cadeia contratado junto à Secretária de Justiça e infelizmente morreu. Quem morre fazendo nosso trabalho é considerado policial e vamos paralisar as atividades”, afirmou Triana, criticando o fato da Delegacia sede de Colombo estar superlotada, com mais de 80 presos no momento da tentativa de fuga. (Ouça a entrevista no ícone de áudio acima)

Com relação à paralisação, ela será por tempo indeterminado, de acordo com o líder sindical. “Não se tem como prever quando ela acabará. O que precisa é terminar essa situação de calamidade. Quando será a próxima vítima? Alguma coisa precisa ser feita, porque isso é uma tragédia anunciada. Teve o ataque em Pinhais ,com três policiais baleados, em maio de 2013, a morte do superintendente Gogola, em Campo Largo, em setembro de 2013, e agora isso. Não vamos continuar esperando outras vidas irem, sendo policias de carreira ou não”, protestou.

Por fim, Triana confirmou que uma reunião vai definir quais serviços serão afetados. “Vamos mobilizar toda a categoria e definir como fazer a manifestação, porque isso não pode significar colocar em risco à população. Será algo ordeiro, definido entre os dirigentes sindicais”, concluiu.

Limpa nas cadeias

Por sua vez, o governador Beto Richa anunciou a determinação da antecipação do plano de esvaziamento de presos em delegacias de Curitiba e região metropolitana. Confira a íntegra da nota feita pela assessoria de comunicação do governo, que determina antecipação do esvaziamento das carceragens de Curitiba e região metropolitana:

O governador Beto Richa determinou, no início da tarde deste domingo (11), a antecipação do plano de retirada dos presos custodiados em delegacias de Curitiba e Região Metropolitana.

A determinação do governador é pela imediata retirada dos presos das delegacias, a começar por Colombo. Os presos deverão ser absorvidos pelo sistema prisional do Estado, de responsabilidade da Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos.

A transferência de presos para penitenciárias é reivindicação antiga da classe policial civil e tem contado com a sensibilidade do Governo do Estado, que criou um comitê com representantes das secretarias da Segurança Pública e da Justiça e que vem, gradativamente, trabalhando para atingir este objetivo.

A fuga em Colombo.

A fuga em Colombo aconteceu na hora da chegada da marmita dos presos. Eles estavam armados dentro da cela e dispararam contra dois agentes de cadeia e um investigador da Polícia Civil. Um agente morreu, outro ficou baleado e o policial civil também saiu ferido. A informação é que pelo menos quatro presos levaram tiros e, até o fechamento desta reportagem, nenhum foi recapturado.

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