Documentos apreendidos com o suposto intermediador de adoções supostamente ilegais no Paraná serão entregues na tarde desta quinta-feira (11) ao vice-presidente da CPI do Tráfico de Pessoas, deputado federal Fernando Francischini (PEN-PR). O mandado de busca e apreensão foi cumprido na última terça-feira (9), por ordem da CPI, no apartamento de Audelino de Souza, conhecido por Lino. Os documentos ficarão sob responsabilidade de Francischini, que juntamente com uma equipe, fará a análise de todo material. As crianças eram ‘vendidas’ a famílias norteamericanas a partir do pagamento de um valor estipulado em U$ 9 mil.

De acordo com o deputado, na última terça-feira (09) a CPI ouviu o depoimento do presidente da ONG Limiar Brasil (Associação de Apoio à Criança e Família Substituta), que afirmou que a entidade parou de intermediar adoções internacionais em 1999 e informou que Lino deixou de atuar como representante da ONG desde esta época. Mesmo assim, a entidade é apontada como intermediadora de diversas adoções no Paraná nos últimos anos.

Para o Francischini, o depoimento foi cheio de contradições. “Estou surpreso e chocado que uma ONG que atuava ao que parece de forma ilegal no Brasil tenha levado para o exterior 1,7 mil crianças brasileiras nos últimos 20 anos. Se ela não atuava mais desde 1999, como aconteceu o caso de São João do Triunfo, com a adoção de sete crianças para famílias norteamericanas através da Limiar há sete anos?”, questionou.

O deputado requereu ainda à CPI a busca e apreensão de documentos sobre adoção na sede da ONG e na casa do presidente do seu presidente, Ulisses da Costa, ambas em São Paulo. Todos os requerimentos foram aprovados durante a sessão. Diante disso, Ulisses da Costa autorizou verbalmente a própria quebra de sigilos bancário, telefônico e fiscal.

Na semana passada, já haviam sido quebrados os sigilos bancário, telefônico e fiscal da ONG Limiar e de Audelino de Souza. Da mesma forma, por requerimento de Francischini, a CPI virá ao Paraná para investigar in loco os casos de adoções internacionais no Estado.Em entrevista à imprensa, Audelino havia confirmado que recebia cerca de US$ 9 mil das famílias americanas como “doação” pela adoção.

A expectativa é que a CPI do Tráfico de Pessoas venha ao Paraná ainda em abril.