Divulgação EBC
Desde esta terça-feira (05) à noite mais seis ataques foram registrados

Apesar de os ônibus de transporte coletivo que circulam a partir das 20h na capital catarinense contarem com escolta policial, passageiros continuam apreensivos com a onda de ataques no estado. “Eles estão atacando agora fora do horário da escolta [das 20h às 23h]”, relatou o motorista David Duarte, 33 anos, uma das pessoas que esperavam para embarcar no Terminal de Integração do Centro (Ticen).

No fim da tarde dessa terça-feira (5), fora do horário de proteção policial, mais um ônibus foi incendiado. De acordo com a Polícia Militar (PM), por volta das 17h30, no bairro Saco dos Limões, dois adolescentes atearam fogo no veículo da empresa Transol. A PM informou ainda que as chamas atingiram a rede elétrica, deixando parte da região sem luz. Um dos adolescentes foi apreendido e liberado em seguida. Ninguém ficou ferido.

Na madrugada de terça para quarta mais cinco ataques foram registrados. As casas de dois agentes penitenciários foram atingidas por artefatos explosivos, uma no município de Chapecó e outra na capital Florianópolis. Em São José, região metropolitana, um homem ateou fogo em um pneu. Também em Chapecó um ônibus foi incendiado. Um semirreboque também foi incendiado ao sul, na cidade de Tubarão, e em Indaial uma garagem de ônibus foi atingidos por explosivos.

No dia seguinte após o primeiro ataque, que ocorreu em 30 de janeiro, viaturas da Polícia Militar passaram a fazer escoltas a ônibus em Florianópolis. As cidades de Criciúma, no sul do estado, e Joinville, na região nordeste, também contam com a proteção extra.

De acordo com a PM, o maior efetivo para essa operação está em Joinville, com 43 policiais e 12 viaturas. Em Criciúma, não há interrupção ou diminuição do horário de circulação dos ônibus, pois a escolta funciona 24 horas nas linhas mais críticas.

Por volta das 21h, no Ticen, passageiros reclamavam da demora e da lotação dos ônibus. “Agora, levo até duas horas para chegar em casa. Antes, fazia em uma hora. Tem segurança, mas os ônibus estão demorando muito a sair por conta da escolta ”, diz o empacotador Lucas Batista, 18 anos.

O Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Urbano de Florianópolis (Sintraturb) acompanhou os embarques dos passageiros durante a noite de ontem no centro. “Estamos aqui para garantir que nenhum ônibus saia sem escolta”, declarou Denísio Linder, secretário de Comunicação da entidade.

Para Linder, o ideal seria que a escolta fosse feita em horário ampliado, mas reconhece que o efetivo policial não daria conta da frota de 1,1 mil ônibus do sistema municipal.

O instrutor de tráfego Leandro Marchi, da empresa Transol, está apreensivo com a segurança dos motoristas e cobradores que trabalham na empresa. “São colegas de trabalho. A gente fica preocupado. Com a escolta é bem mais seguro, mas ela não pega todo mundo”.

A escolta de ônibus do transporte público foi uma das ações anunciadas pelo governo estadual para conter a série de ataques em Santa Catarina. Foram anunciados ainda o reforço do policiamento em áreas identificadas como possíveis alvos e a instalação da sala de situação da PM.