No Paraná a safra de grãos de verão 2012/13 caminha para o final do ciclo e o resultado estimado aponta para um recorde de produção liderado pela soja. A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento divulgou nesta sexta-feira (26) levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) que revela uma colheita de 23,35 milhões de toneladas durante a safra de verão, que corresponde a um aumento de 30% sobre a safra passada.

Esse desempenho induz à projeção de uma safra recorde de grãos em 2013 com um volume de 38,77 milhões de toneladas, considerando a produção do ano inteiro incluindo a safra de verão, a safrinha e a safra de inverno, em andamento no Paraná. Esse resultado poderá ser confirmado se não houver problemas com o clima daqui para frente.

Na safra de verão, o cultivo de soja liderou a produção e está sendo colhido o maior volume de produção, avaliado em 15,68 milhões de toneladas do grão. Esse resultado é recorde e representa um aumento de 45% sobre a soja produzida no ano passado, que sofreu os efeitos do clima como a estiagem durante o período de desenvolvimento.

TECNOLOGIA – O aumento na produção de soja esse ano foi decorrente do aumento de área plantada, da ordem de 6%, e do clima favorável durante o ciclo de desenvolvimento. Para o diretor do Deral, Francisco Carlos Simioni, esse avanço na produção agrícola paranaense deve ser creditado também ao esforço do produtor rural, que vem acessando com muita competência os ensinamentos da assistência técnica e da pesquisa pública e privada, que têm proporcionado o uso de tecnologia de ponta no meio rural. “A evolução do produtor e o bom desempenho do clima está permitindo um aumento de produtividade para todas as culturas da safra de verão”, disse.

MILHO – O milho da primeira safra também teve um bom desempenho, com uma colheita de 7,16 milhões de toneladas, volume 9% acima da produção em igual período do ano passado. A técnica do Deral, engenheira agrônoma Juliana Tieme Yagushi, também atribui o bom resultado ao clima favorável e ao uso de tecnologia por parte do produtor. Ela chama a atenção para o bom desempenho da cultura, considerando que na primeira safra de milho o resultado foi maior em relação ao ano passado, mesmo com redução de 10% na área plantada, que caiu de 975.789 hectares plantados na safra 2011/12 para 878.090 plantados na safra 2012/13.

O milho da segunda safra concluiu o plantio e a área ocupada com a cultura cresceu 5%, passando de 2,04 milhões de hectares plantados no ano passado para 2,14 milhões de hectares plantados esse ano. O potencial produtivo da cultura aponta para 11,5 milhões de toneladas, se não for afetada pelo clima.

A segunda safra de feijão também apresenta resultados animadores com a colheita de 453.913 toneladas, volume 32% acima da safra cultivada em igual período do ano passado. “É o maior volume colhido nesse período nos últimos seis anos”, disse o técnico Carlos Alberto Salvador.

O trigo está em período de plantio e a área ocupada está 9% acima do ano passado, indicando leve recuperação de área plantada no Estado. Este ano a cultura deverá ser plantada em cerca de 855 mil hectares. A expectativa de produção aponta para 2,57 milhões de toneladas, 21% acima da produção do ano passado, que foi de 2,11 milhões de toneladas.

COMERCIALIZAÇÃO – Segundo o economista do Deral, Marcelo Garrido, esse ano o produtor rural vem se beneficiando do aumento de preços das principais commodities no mercado, ao contrário de anos anteriores em que os preços no mercado externo evoluíram depois que a safra tinha sido vendida.

Quando começou a plantar a safra de soja em setembro de 2012, o produtor já tinha vendido 30% da produção esperada. Nesse período a cotação da soja chegou a R$ 73,90 a saca de 60 quilos, seu valor mais alto dos últimos anos. Essa foi a primeira vez que houve uma venda antecipada nesse volume e o produtor soube aproveitar bem, disse Marcelo Garrido. “Agora ele está vendendo com mais cautela, esperando a reação do mercado”, resumiu o técnico.

O produtor de milho também vendeu a produção antecipadamente esse ano. Da primeira safra ele antecipou a venda em 13% e na segunda safra antecipou a venda em 5% da produção, o que não é muito comum para o grão. Os preços que estavam animadores recuaram para R$ 19,50 a saca, ainda assim cerca de 12% acima do preço mínimo.

A venda de feijão está favorável ao produtor com 47% de aumento no preço do feijão preto e de 17% no preço do feijão de cor, em relação ao ano passado. A saca de feijão preto está sendo vendida pelo produtor a R$ 125,22, em média, e a do feijão de cor, por R$ 198,42 a saca.

O engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Alberto Salvador, acredita que os preços devem manter-se firmes este ano em função da redução da oferta do grão no país. O volume de produção caiu de 3,3 milhões de toneladas, volume que corresponde a média dos últimos seis anos, para um total de 2,9 milhões de toneladas esse ano. A escassez está sustentando os preços, principalmente do feijão de cor que não tem a concorrência do feijão importado da China, Argentina e Bolívia, explicou Salvador.

O trigo, que está sendo plantado, já está com 3% da produção esperada vendida, o que é pouco comum para essa cultura, reconhece engenheiro agrônomo Carlos Hugo Godinho (do Deral). Segundo ele, as vendas antecipadas de trigo são normais nas operações de troca de sementes e insumos por cultura. Mas esse ano, os produtores e cooperativas estão fechando contratos futuros para se protegerem da possibilidade de queda de preços à frente.