Da Agência Estadual de Notícias

O Governo do Paraná apresentou nesta segunda-feira (03) os resultados de um inventário inédito, que mostra a quantidade de gases de efeito estufa que os principais setores da economia emitem na atmosfera. É o primeiro levantamento realizado no Estado e dará suporte para ações de redução e neutralização das emissões.

Entre 2005 a 2012, foram liberados 444 milhões de toneladas gás carbônico. Isso representa a emissão de 4,99 toneladas por habitante a cada ano. Entre os seis estados que já apresentaram seus levantamentos, o Paraná é proporcionalmente o Estado que menos polui.

Os números foram apresentados pela Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sema), por meio da coordenadoria de Mudanças Climáticas. Com o documento, o Estado terá suporte técnico para elaborar políticas públicas mais eficientes, para que o Brasil consiga cumprir o compromisso firmado com a Organização das Nações Unidas (ONU) de reduzir em até 38,9% as emissões de gases até 2020.

“Esse é o primeiro levantamento realizado no Paraná para avaliar os setores que mais emitem gases na atmosfera. A partir deste monitoramento, será possível implementarmos ações para promover metas de redução e a neutralização das emissões”, explicou o secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Antônio Caetano de Paula Júnior.

co2(Foto: Divulgação)

Se comparadas as emissões no ano de 2005 e em 2012, em oito anos houve um aumento de 37,54% no volume de gases emitidos na atmosfera pelo Paraná.

O documento também mostrou que, no mesmo período, 313 milhões de toneladas de gás carbônico foram neutralizados pelas áreas florestais do Estado.

“Isso mostra que 71% dos gases emitidos são absorvidos pela natureza. Graças às nossas áreas de florestas, o Paraná tem, proporcionalmente, o melhor desempenho na neutralização dos gases”, disse Caetano de Paula Júnior.

Bioclima

O secretário ressaltou a importância de programas como o Biclima, que oferece incentivos econômicos para quem preserva as florestas paranaenses. “Esse estudo mostra o papel das nossas florestas na neutralização dos gases poluentes. Precisamos de ações que garantam a preservação das nossas matas e o Bioclima é referência nisso”, afirmou.

Diferentes fontes

O inventário é o levantamento das emissões de diferentes fontes e setores, para proposição de medidas de redução e adaptação de gases de efeito estufa, em âmbito privado ou público.

A elaboração do inventário levou um ano para ser concluído. Foram investidos R$850 mil na contratação da empresa Way Carbon, vendedora do edital de licitação.

Além do Paraná, apenas cinco estados do país já fizeram seus inventários: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Espirito Santo e Rio Grande do Sul.

O coordenador do Inventário da Secretaria do Meio Ambiente, Carlos Renato Garcez, explica que agora será possível estipular metas e ações concretas para reduzir as emissões.

“Com o trabalho, conhecemos o perfil do Paraná nesse setor. Assim, será mais fácil estudar as mudanças climáticas e propor para setores da economia medidas para redução da emissão desses gases”, disse Carlos.

Setores avaliados

O inventário paranaense foi elaborado seguindo as características e diretrizes do Ministério da Ciência e Tecnologia. Foram avaliados os setores de energia; agricultura, floresta e outros usos do solo; processos industriais; e usos de produtos, resíduos e saneamento.

O setor de energia é responsável pela geração de 45,63% das emissões do Paraná, com 206 milhões de toneladas de gases emitidos no período avaliado. Neste setor estão incluídas emissões devido à produção, transformação, distribuição e ao consumo de energia incluindo o uso de combustíveis fósseis (óleo diesel e gasolina).

As emissões do setor de agricultura, florestas e outros usos do solo aparecem em segundo lugar com 41,63%, totalizando 178 milhões de toneladas produzidos em oito anos.

Neste setor, estão incluídas as emissões resultantes de variações de estoque de carbono em biomassa e produtos derivados de madeira, matéria orgânica morta e solos minerais em terras manejadas, queima de resíduos agrícolas, calagem em solos manejados, cultivo de arroz, fermentação entérica de rebanhos animais e emissões de sistemas de tratamento de dejetos de animais.

Processos industriais

Em terceiro lugar está o setor de processos industriais e uso de produtos, com 37 milhões de toneladas, equivalente a 8,18% das emissões do Paraná.

Este setor foi dividido nas categorias de processos resultantes da indústria mineral, indústria química, indústria de produção de metais, uso não energético de produtos derivados de petróleo, indústria de eletrônicos, uso e manufatura de outros produtos e uso de substâncias que contribuem para aumentar o buraco da camada de ozônio na atmosfera, entre elas, estão os hidrofluorocarbonos.

O setor de resíduos e saneamento está em último lugar entre os segmentos avaliados, com 22 milhões de toneladas de gases gerados. A variação no setor foi de 29% e as emissões representam 4,93% do total das emissões do Paraná.

Foram avaliadas atividades como tratamento final de resíduos, tratamento biológico de resíduos sólidos, incineração e queima a céu aberto de resíduos, tratamento de esgoto e descarte de efluentes industriais e domésticos, serviços de saúde e outros.

Gases de efeito estufa

Os gases de efeito estufa absorvem parte da radiação infra-vermelha emitida pela superfície terrestre, mantendo a Terra aquecida. O efeito estufa é um fenômeno natural que acontece desde a formação da Terra e é necessário para a manutenção da vida. Sem ele, a temperatura média seria 33 °C mais baixa. No entanto, o aumento dos gases estufa na atmosfera e a redução das florestas têm potencializado esse fenômeno natural causando mudanças climáticas drásticas.