Por Marina Sequinel e Bruno Henrique

O Hospital Municipal de Araucária (HMA), na região metropolitana de Curitiba, continua fechado na tarde desta quarta-feira (20). Desde o último dia 2 de agosto, os funcionários pararam de trabalhar devido a falta de pagamento, causada pela troca de gestão do local, e aos problemas enfrentados diariamente, como a escassez de medicamentos.

Na época, a Prefeitura da cidade informou que a situação seria resolvida em dez dias, mas as portas não foram abertas para o atendimento ao público. A cozinheira Marilene Taborda, que está com a mãe internada no hospital desde o mês passado, é apenas uma das pessoas afetadas com o caso.

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(Foto: AN/Banda B)

“Eles falaram que pagariam os funcionários e que tudo estaria bem. Mas, infelizmente, está tudo na mesma. Eu me sinto impotente, porque não posso fazer nada, mesmo sabendo que o município é grande e tem recursos para conseguir um atendimento de qualidade para a minha mãe e para tantos outros pacientes”, disse Marilene, revoltada, em entrevista à Banda B.

As cadeiras da sala de espera estão vazias e o máximo que é feito, segundo ela, é a emergência para gestantes. A dona de casa Enezi Maria Machado tinha cirurgia marcada mas, ao tentar levar os exames para o médico, recebeu a notícia de que não seria atendida. “Agora eu não sei mais o que fazer, não sei mesmo. Dei com a cara na porta e o que me resta é esperar”, declarou ela.

No dia 8 de agosto, o HMA abriu apenas parcialmente, mas voltou a fechar em seguida.

NIS III

Com o HMA fechado, muitos moradores de Araucária procuram atendimento no Núcleo Integrado de Saúde (NIS) III da cidade. “As filas são enormes, o sistema não funciona e a gente espera horas para ser atendido”, falou o vigilante David Teixeira sobre o local, acompanhado da mãe, que estava passando mal aguardando uma consulta.

De acordo com David, a mãe já estaria lá há pelo menos uma hora sem receber nenhum tipo de medicação ou atendimento. “Ela está passando mal, mas parece que ninguém vê, é preocupante”, completou.

Outro caso delicado encontrado pela Banda B no NIS III foi o da gestante de 40 semanas Daniele Andrade. Ela foi até o HMA mas, ao dar de cara com as portas fechadas, foi encaminhada ao Núcleo Integrado. “Era para o meu bebê ter nascido ontem, mas não nasceu, aí estão me levando de um lado para o outro. Para complicar ainda mais, eu descobri, recentemente, que ele está com problema no coraçãozinho”, contou. Como o número de pacientes no NIS é preocupante, Daniele teve de ser remanejada para Curitiba para receber atendimento.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Araucária para solicitar respostas sobre a situação e aguarda retorno.

Troca de gestão no HMA

O atendimento no Hospital Municipal foi prejudicado devido ao encerramento de contrato com a empresa Pró-Saúde, responsável pela gestão da casa desde 2008. A partir da última quarta-feira (23), a administração passou a ser do Instituto Bio Saúde, de Mogi das Cruzes, em São Paulo.

O contrato com a Prefeitura de Araucária com a Pró-Saúde foi rescindido por não cumprir com os deveres legais, de acordo com o município. A administradora deixou faltar medicamentos, insumos e até refeição para os pacientes, de acordo com o órgão municipal. Além disso, o salário dos médicos está atrasado há alguns meses.

Em nota, a Prefeitura informou que os 430 funcionários e 123 médicos devem ser contratados pela Bio Saúde caso eles tenham interesse em continuar trabalhando. O município ainda garantiu que sempre cumpriu com os pagamentos previstos, um montante que gira em torno de R$ 2,8 milhões por mês.

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