Por Marina Sequinel e Luiz Henrique de Oliveira

Uma paciente de 99 anos emocionou os funcionários do Hospital Colônia Adauto Botelho, em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, nesta terça-feira (11). Depois de 34 anos internada no local, ela falou o próprio nome pela primeira vez, o que possibilitou que a família dela fosse encontrada.

“Essa é uma história muito bonita. Ninguém conseguiu segurar as lágrimas com o caso”, contou o diretor do hospital Osvaldo Tchaikovski Júnior em entrevista à Banda B. A equipe de enfermagem dava banho na paciente quando, de repente, ela falou o nome completo. “Ela também descreveu uma receita de bolo de laranja. O momento foi gravado pelas funcionárias”, completou ele.

Hospital Adalto Botelho.Reencontro foi emocionante. (Foto: Venilton Küchler/SESA)

A partir do nome, as enfermeiras cruzaram informações nas redes sociais e encontraram um site de buscas em São Paulo. As descrições bateram e a localização da paciente foi informada para as pessoas que a procuravam. “Hoje, a filha, de 72 anos, e a neta dela estavam aqui. Fazia 53 anos que ela estava desaparecida. Foi um reencontro maravilhoso, principalmente porque as equipes têm um carinho muito grande por todos os pacientes”, disse Osvaldo.

Como a maioria dos internados, segundo ele, ninguém sabe como a mulher chegou ao hospital. Fundada em 1954, a instituição tem hoje 89 pacientes em quatro unidades que tratam transtornos mentais e dependência química. “Nós temos 19 pessoas que não possuem nenhum vínculo familiar e sequer têm identificação, como é o caso dessa paciente, que tinha o RG com outro nome, já que fizemos uma certidão tardia para ela. A maioria está internada no hospital há pelo menos 30 anos”, explicou.

Agora, a filha está acertando os papéis para poder ter a mãe de volta. Ela desapareceu em 1961, na cidade de São Paulo, depois de sair de casa devido a um desentendimento com a cunhada. Ela sofria de transtornos mentais por causa da morte da terceira filha durante o parto. A paciente foi internado no Hospital Adauto Botelho em março de 1980. “O importante é que a história teve um final feliz e emocionante”, concluiu o diretor.