Por Denise Mello e Antonio Nascimento

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Manifestantes usaram panos pretos para cobrir o rosto no protesto – Foto: Juliano Cunha/Banda B

Os 11 manifestantes presos na segunda-feira (16) por depredações em lojas e agências bancárias no Centro de Curitiba em protestos contra a Copa do Mundo, foram libertados nesta quarta-feira (18). Passaram cerca de 48 horas detidos e ganharam a liberdade graças a atuação da Defensoria Pública do Paraná. Nove dos onze presos foram defendidos pelo defensor Maurício Faria Júnior. Outros dois contrataram advogados particulares. Apesar do pedido da delegada Monica Meister para que a prisão em flagrante fosse convertida em prisão preventiva, juízes acataram os pedidos de liberdade provisória do grupo.

A Justiça estabeleceu fiança de um salário mínimo, o comparecimento em juízo todo mês e o recolhimento domiciliar no período noturno enquanto o processo tramitar. A defesa dos manifestantes acusados de vandalismo alegou que não haveria razão para manter a prisão.

Os acusados negam participação nos atos de vandalismo e admitem apenas terem participado da manifestação. Porém, a delegada Monica Meister garante que existem imagens e fotos que comprovam a participação de cada um dos 11 autuados por depredação ao patrimônio público e formação de quadrilha.

“Temos vasto material com fotos e imagens que comprovam a participação dos autuados. Pedi a prisão preventiva deles em caráter de urgência e não arbitrei fiança porque entendo que, para o bem da população, e com mais três jogos da Copa em Curitiba, seria um risco liberá-los neste momento”, explicou a delegada no momento da prisão.

A delegada também considerou estranha a presença de defensores públicos já na chegada dos jovens na delegacia. “Em todos os anos de carreira como delegada, foi a primeira vez que vi algo assim. Eles (defensores públicos) já estavam acompanhando a manifestação e vieram até o distrito. Passaram a madrugada toda aqui. Normalmente, quando o acusado não tem advogado acionamos a Defensoria Pública, mas os jovens presos já estavam acompanhados dos defensores quando chegaram aqui”, informou.

Ontem, em entrevista à Banda B, o chefe de Gabinete da Defensoria Pública do Paraná, Fernando Redede Rodrigues, rebateu as acusações de que o órgão estaria pronto para defender manifestantes na delegacia, mas que nem sempre está lá para outros cidadãos que necessitem. Segundo ele, a defesa criminal é uma das missões da Defensoria Pública e, neste caso do jogo Irã x Nigéria, eles estavam de plantão para atender quem precisasse.

“Claro que depredar o patrimônio do cidadão é inaceitável e pode ser apoiado por qualquer órgão público. Nesse dia nós já estávamos acompanhando desde a manhã todo o movimento, orientando a população e dizer que estamos com as portas abertas. Quando soubemos do caso, nossos advogados foram até lá para atender a situação e defender aqueles que não tinham condições”, disse.

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