Por Luiz Henrique de Oliveira

araucaria

Filas foram registradas nos terminais de ônibus (Bárbara de Lima)

Mais um capítulo da novela do não pagamento do vale aos motoristas e cobradores de Curitiba e região. Na manhã desta quarta-feira (21), as empresas Sorriso, Redentor, Araucária e Tamandaré saíram das garagens apenas após uma assembleia, o que gerou atraso nas chegadas dos ônibus nos terminais das região Sul e Norte de Curitiba, além de Almirante Tamandaré e Araucária, cidades da região metropolitana.

O vice-presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores, Dino César, afirmou à Banda B que um indicativo de greve de 72 horas foi aberto. “Se não houver o pagamento, o transporte coletivo de Curitiba irá parar. Já entraremos com uma medida judicial cobrando uma multa que foi estipulada em caso de não pagamento. Os trabalhadores não aguentam mais essa situação”, descreveu.

De acordo com Dino, os ônibus saíram das garagens por volta das 6h, mas, apesar disso, o ouvintes e internautas ainda registravam atrasos por volta das 7h30.

Recorrente

Atrasos no pagamento dos “vales” voltaram a se repetir nos últimos meses como reflexo da queda de braço entre as empresas e a Urbs, que gerencia o sistema. As empresas alegam que estão operando no vermelho diante do valor insuficiente da tarifa técnica. Já a Urbs considera o valor suficiente e diz que todos os pagamentos estão em dia.

No mês passado, também no dia 21, motoristas e cobradores que fazem linhas no terminal Santa Cândida, em Curitiba, bloquearam a entrada e a saída do terminal em protesto contra o atraso no pagamento do vale. Após cerca de duas horas de protesto, os ônibus no Santa Cândida foram liberados e no dia seguinte o adiantamento salarial foi feito. Agora, a situação se repte em quatro empresas. Antes, em julho, cerca de dez das 32 empresas que integram o sistema não fizeram o pagamento.

Prefeitura diz que pagamentos estão em dia

A Prefeitura de Curitiba informou que o pagamento às empresas estão rigorosamente em dia, inclusive para as que, segundo os motoristas, não pagaram o vale. Por conta disso, a administração municipal avalia medidas administrativas e judiciais com relação ao que aconteceu.

Pagamento será feito, diz Setransp

O Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) reconhece o atraso no vale das quatro empresas, mas diz que está sendo todo o esforço para regularizar a situação. Segue a nota:

1. As empresas Araucária, Redentor, Sorriso e Tamandaré pagaram apenas uma parte dos 40% devidos do adiantamento salarial a seus colaboradores, o chamado vale.

2. Assim como já fizeram ontem, as empresas vão realizar hoje todo o esforço possível para pagar o vale na sua totalidade.

3. O sistema de transporte, como exposto há tempos, segue em crise: nesta semana algumas empresas não conseguiram pagar o vale na sua totalidade; na passada, uma das empresas teve veículos apreendidos.

4. Existe a expectativa de que as conversas entre as empresas e Urbs, com a mediação do Ministério Público, possam pacificar o sistema”, diz a Setransp.