A operação da Polícia Federal em Curitiba (PF), deflagrada na manhã desta quinta-feira (25), com o objetivo de desarticular uma organização criminosa voltada ao contrabando e à exploração de jogos de azar no Estado do Paraná, prendeu oito policiais militares, sendo três oficiais.Ainda, mais 20 pessoas foram presas, destas, dois são assessores parlamentar de um deputado estadual. Segundo a PF, os envolvidos na quadrilha, desde 2010, adquiriram bens por conta do desvio de milhões de reais.

As ordens judiciais foram executadas nas cidades paranaenses de Curitiba, Maringá, Medianeira, Foz do Iguaçu, Faxinal e Matinhos; em Porto Alegre e Canoas, no Rio Grande do Sul, e em Laguna e Joinville, no estado de Santa Catarina.

O delegado da PF José Alberto de Freitas Iegas, comandante da operação, falou sobre como a quadrilha agia. “Além de facilitar a passagem da mercadoria do grupo criminoso, os policiais extorquiam contrabandistas concorrentes, repassando parte dos valores e dos produtos desviados de apreensões ao núcleo central do esquema”, contou.

Segundo Iegas, a organização criminosa era liderada por um assessor de um deputado estadual do Paraná e por oficiais da PM, ocupantes de postos chave. “Esta quadrilha inclusive se usava disto para pressionar o atual comando da Polícia Militar e tentar influenciar autoridades de diversos órgãos públicos. Os nomes dos investigados estão sobre o âmbito do segredo de Justiça e em respeito a esta decisão não serão divulgados”, afirmou o delegado, complementando que os produtos contrabandeados eram preferencialmente eletrônicos e cigarros.

Apoio da Sesp-PR

A operação da PF contou com o apoio da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Paraná (Sesp-PR). O comandante geral da Polícia Militar, Roberson Bondaruk, comentou a prisão dos policiais. “Já temos até o momento oito policiais militares presos em todo o estado. Talvez ainda tenhamos novas prisões feitas, mas que não podem ser ditas ainda. É uma parceria forte entre os órgãos de Segurança Pública contra o crime organizado”, destacou.

O corregedor da Polícia Civil, Paulo Ernesto Cunha, destacou a importância de separar os bons e os maus policiais. “É muito importante que a gente corte a própria carne para ser respeitado por todos. É um trabalho que não para”, afirmou.