Hoje me emocionei, chorei e, depois, me senti ainda mais forte. Com a cabeça a mil, de carro, cheia de “problemas”, passo com pressa por uma rua de bairro, tranquila, quando vejo um homem cego vendendo vassouras. Passei direto.

Meia quadra depois aquela imagem do homem com uma bengala em uma das mãos e várias vassouras no outro ombro, me incomodou a ponto de frear bruscamente. Uma reação mais forte que eu.

Dei meia volta e encontrei o homem, já com seus 50 anos, tateando o chão com a bengala e equilibrando as vassouras, batendo palmas de casa em casa.

Tinha 20 reais na carteira e pedi uma vassoura. Antes, ele me explicou a funcionalidade de cada uma. Fiquei com a de 15 reais. Dei 20 e ele tirou uma nota de 20 do bolso e outra de dois reais. Me perguntou qual poderia me dar de troco, na total confiança. Disse que não precisava.

Perguntei onde morava. Falou na Cic. Como estávamos no bairro Mercês, bem longe, lhe ofereci uma carona tamanha a dor que senti de tanta pena. Tranquilamente, ele me disse que não precisava pois, apesar de ser 16h30, ainda teria que vender mais vassouras até voltar pra casa. Comentou ainda que era para eu não me preocupar pois estava acostumado a andar por aí com suas vassouras na total escuridão.

Saí de lá e chorei muito. Depois, fiquei mais forte, bem mais forte. Prometo pensar nesse homem todos os dias da minha vida. Nem preciso dizer que meus “problemas” ficaram do tamanho de uma ervilha. Obrigada, mil vezes obrigada homem das vassoras.