Por Elizangela Jubanski

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Nascente com manilha colocada pela população. Foto: Elizangela Jubanski/Banda B/Jornal Fazendinha

Uma nascente de água no meio de um matagal na Vila Nina, no bairro Fazendinha, em Curitiba, já abasteceu muitas casas há décadas passadas. Agora, não se sabe ao certo quanto tempo, um esgoto a céu aberto passou a existir a cerca de três metros de distância dessa nascente. A denúncia foi feita pelo presidente da Associação de Moradores da Vila Nina, José Aparecido Prates, ao Jornal Fazendinha que, in loco, viu a situação de abandono. A Regional Fazendinha/Portão está a par da situação e reuniu representantes da Prefeitura de Curitiba.

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Esgoto a céu aberto a cerca de três metros de nascente de água. Foto: EJ/Banda B/JF

“Toda a comunidade pegava água aqui desde a invasão, há 25 anos, quando não tinha saneamento e tudo mais. Tomavam e usavam para tudo. Isso nunca seca e dói no coração a gente vê essa água aqui com tanta gente dizendo que vai faltar e bem ao lado do esgoto, ainda”, lamenta o presidente, conhecido como Coquinho.

De acordo com ele, representantes da Sanepar já foram ao lado diversas vezes, mas nenhuma providência foi tomada. “Se eu faço gato na água, eles descobrem e vem até aqui. Mas e essa nascente aqui, coisa mais linda, virando um nada, com lixos, gordura e entulhos”, reclama.

Regional

No fim de agosto, representantes da Prefeitura de Curitiba estiveram no local. Estavam presentes a gestora da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab), Daniela Pizzato, o superintendente de Controle Ambiental da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Raphael Moura, representantes da Sanepar e o administrador Regional do Portão, Marco Mello.

De acordo com o administrador, a ideia da visita era mostrar o local e a forma que se encontra atualmente. “Temos de arrumar formas de preservação, pois o local, que é um bosque nativo, está em péssimas condições, ocupado por usuários e traficantes de drogas. A tentativa de revitalização e a facilitação de uso (ocupação) pela comunidade seria de vital importância”, disse ao Jornal Fazendinha.

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Ponte construída na Vila Nina. Foto: EJ/Banda B/JF

Outro embate

E não é somente a nascente de água que tira o sono dos moradores da Vila Nina. A ponte sobre o Rio Formosa, entre as vilas Estrela e Nina, foi entregue em maio à população, mas ainda faltam obras para que seja usada de maneira plena. “Veja esse barranco logo depois da ponte. Ficou lindo, claro, mas não liga a nada. A ponte liga nesse barranco aqui”, reclama o presidente. A ponte foi construída no fim da rua Edvino Antônio Deboni.

Conforme projeto, os postes de iluminação e as antenas da Companhia Paranaense de Energia (Copel) foram realocados, casas foram destruídas e famílias levadas para outros pontos de Curitiba pelo programa da Cohab. O projeto inicial era que a ponte ligasse até a rotatória da rua Carlos Klemtz. Até agora, assim que o motorista cruza a ponte, enfrenta um trecho de barranco e ruas que foram abertas pelos moradores. “Isso ainda não terminou, não”, finaliza Coquinho.