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piske dentroÚltimas fotos de Piske e Eliz na Trilha no RJ – Fotos: Reprodução Facebook

A namorada do empresário Wagner Piske, morto após escorregar em uma pedra na Trilha da Gávea no Rio de Janeiro no domingo (26), Eliz Nicolle Cuéllar, colocou em sua página na rede social Facebook detalhes de como o acidente aconteceu. Eliz relata os momentos de felicidade que o casal viveu e, na sequência, o desespero após a queda. Familiares de Piske compartilharam o depoimento para “divulgar o que realmente aconteceu”.

No relato, Eliz diz que Wagner, que era sócio de uma casa noturna de Curitiba e tinha 28 anos, morreu na hora e agradece a deus por ele não ter sofrido. Ela também postou as últimas fotos no casal na trilha.

Acompanhe aqui o depoimento da namorada de Piske, reproduzido na íntegra, da maneira que Eliz postou:

“Primeiramente, em nome da Marlene, de toda a família Piske e em meu nome, gostaria de agradecer por todas as mensagens, palavras e gestos de apoio nesse momento tão difícil. Do fundo do nosso coração. Tenho certeza que o Piske está muito feliz em ver quanta gente o ama.

Ainda, a título de esclarecimento, me senti no dever com todos vocês em finalmente contar o que realmente aconteceu. E peço que compartilhem, pois é triste escutar tantas histórias equivocadas que pessoas que não sabem de nada acabam espalhando. Obrigada…..

Eu e o Piske estávamos no nosso segundo dia de passeio pelo Rio de Janeiro. A gente sempre gostou de uma aventura e resolvemos fazer a trilha da Pedra da Gávea. Pois bem, depois de 2 hrs e pouco chegamos lá no topo…. Foi aquela sensação de dever cumprido, imagina… QUE TRILHA!! Foi tudo bem na ida, fizemos algumas paradas, tomamos água, revezamos a mochila.. Chegamos na famosa pedra, estávamos só nós dois.. tiramos a roupa, estávamos suando, pingando na verdade.

Tomamos mais água, comemos umas bananas, descansamos, demos umas risadas e tiramos algumas fotos (imagem a seguir). Depois de um tempo lá em cima nos aprontamos para descer a trilha. Ficou combinado que no primeiro trecho da volta eu levaria a mochila, e ele levaria na segunda parte.

Começamos a descer, Piske na frente, e eu atrás, como uma fila de índio. Depois de uns 10 minutos de caminhada da volta, chegamos num trecho mais complicado, que tem bastante pedra (já havíamos passado por esse trecho para subir), e que se chama Carrasqueira (vim a saber desse nome só depois).
Por sorte, tinha um grupo de rapazes que estavam subindo esse trecho da trilha nesse mesmo momento, o Piske até trocou algumas palavras com o cara que estava tentando subir, a distância não era grande.

Foi uma fração de segundos enquanto estávamos descendo a Carrasqueira quando o Piske escorregou ou tropeçou (e eu falo assim porque eu REALMENTE não vi o que aconteceu com o PÉ dele), e rolou por uma distância de mais ou menos uns 10 metros, e foi “parado” por uma pedra que tinha ali no caminho.
Ele deve ter “rolado” umas duas vezes antes de parar/ bater na pedra “final”. Eu fiquei maluca, deu pra ver já que estava inconsciente, gritava e ele não levantava. Então joguei a mochila e desci a pedra rapidamente me arrastando de bunda até ele.

Os meninos logo vieram ajudar, tinha muito sangue e ele estava parado. No mesmo momento ligamos para os bombeiros pedindo socorro, emergência, instruções de primeiros-socorros. Eu não tinha condições de falar, foi um dos meninos que falou ao telefone. Ele foi instruído a ficar segurando a cabeça dele até os bombeiros chegarem, e a não mexer o corpo para não correr o risco de fraturar mais. Pessoal.

Ele faleceu na hora, provavelmente na primeira “rolada” que ele deu, ou então quando bateu na pedra “final”, mas eu não conseguia pensar na simples possibilidade dele já estar morto, só gritava, pedindo por socorro, segurava na mão dele pedindo pra ele ser forte e pra ele ficar comigo, rezava, passava a mão dele, enfim, esperando o resgate com a esperança de tirar ele dali e levar pra um hospital e deixar ele bonzinho. E também, eu tremia muito, tentava ver o pulso dele e sentir o coração pra ver se estava respirando, mas não conseguia sentir devido ao meu corpo estar muito agitado.

Um dos meninos que estava ajudando a segurar a cabeça dele no lugar volte e meia falava que sentia que ele estava respirando sim, mas com dificuldade, não sei se ele falava isso pra me confortar (sabendo que ele já não respirava) ou se ele também mal conseguia sentir os batimentos dele. Os bombeiros chegaram por volta de 1 hora depois. Ligamos para eles diversas vezes antes de chegarem.

Foi agonizante e desesperador esperar esse tempo, demorou muito! Com o Piske lá, piorando cada vez mais (ao meu ver). Quando eles (bombeiros) chegaram, solicitaram para que eu terminasse de descer a trilha pois ficar ali não ajudaria em nada e eu não podia ir com eles, e também, estava ficando escuro e ainda restava umas 2 horas para chegar ao final. Terminei de descer, acompanhada de outros trilheiros que chegaram na Carrasqueira enquanto o resgate não vinha, cheguei lá em baixo e fiquei esperando com os seguranças do parque e alguns bombeiros.

Na verdade, ele não ia ser resgatado por um helicóptero (como eu pensei), pois não tinha aonde o helicóptero parar por ali. Então, na verdade, eles estavam descendo a trilha com ele. O acidente ocorreu um pouco antes das 17 hrs. Por volta as 21 hrs eu ainda não tinha notícias, eles ainda estavam na trilha. Mas sabia que os bombeiros já haviam ligado para os meus pais. Ninguém me falava nada.

É claro que já comecei a imaginar, como iam estar trazendo ele machucado por aquela trilha durante horas, pra chegar e levar ele no hospital? Enfim, às 22, quando avisaram que os bombeiros já estavam terminando a trilha e chegando com ele, foi que finalmente me contaram a verdade. Gente, ele teve um traumatismo crânio encefálico e diversas fraturas no crânio, e faleceu na hora, sem dor.

Eu não consegui perceber ou acreditar isso no momento do acidente. Mas hoje é um alivio saber que ele não sofreu, e foi sem dor, em paz. Agradeço a Deus por ter levado ele sem sofrimento, e por ter permitido que estivessem pessoas do bem pra me ajudar ali naquele momento, e mais, por ter me escolhido pra ser a pessoa que passou os últimos momentos felizes da vida dele junto a ele.

Piske eterno. Você iluminou minha vida com esse seu jeito tranquilo, leve e feliz de lidar com as coisas. Você me fez feliz, me fez sentir cuidada e amada. Você foi literalmente meu porto seguro. Você foi o cara. Descanse em paz, meu amor. E como você mesmo diria.. “no final, tudo vai ficar bem””, encerra Eliz.

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