O Ministério Público Federal em Cascavel (PR) denunciou 12 pessoas envolvidas na venda da empresa Pedro Muffato e Cia. Ltda (Muffatão) ao grupo Sonae, ocorrida em 1999, pela prática de sonegação fiscal. Em valores atuais, a omissão de receitas gerou uma dívida com a Receita Federal de mais de R$ 70 milhões. Segundo a legislação, a denúncia somente pode ser oferecida pelo MPF após o fim do processo administrativo fiscal, o que ocorreu em 25 de abril de 2010.

De acordo com o MPF, entre setembro e outubro de 1999, os sócios administradores do Muffatão (Pedro Muffato, Pedro Muffato Junior e David Guilherme Muffato) e representantes da Sonae (José Maniel Baeta Tomás, Vlamir Almeida Ramos, Luís Antonio Vicente Dias e Neri Carlos Dal Pozzo) suprimiram e reduziram tributos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica do Muffatão ao omitirem informações quanto à obtenção de ganhos de capitais às autoridades fazendárias. Como consequência, o grupo Sonae adquiriu o Muffatão desembolsando um valor inferior pelo negócio celebrado.

O MPF apurou, no decorrer das investigações, que os denunciados valeram-se do artifício da criação de empresas com o objetivo de disfarçar o ganho auferido na venda de instalações, estoques, ponto comercial e fundo de comércio do Muffatão para o Sonae. O ganho foi mascarado como se fosse um rendimento não tributável, decorrente de ágio na subscrição de capital em empresa controlada. Pela negociação, o Sonae assumiu o controle das atividades varejistas desenvolvidas pelo Muffatão nos estabelecimentos em Cascavel (três unidades), Foz do Iguaçu (duas), Umuarama (uma), Maringá (uma) e Londrina (duas).

Os demais denunciados (Selvino Antonio Dupont, Laudino Favarin, Jeremias Rocha dos Santos, Pieter Jacobus Marie Freriks) são peritos que assinaram laudos de avaliação fraudulentos, conforme provas obtidas no inquérito policial e processo administrativo fiscal.