Redação

Assembleia realizada na madrugada desta quarta-feira – Foto: Sindimoc

Em assembleias realizadas na manhã desta quarta-feira (22), motoristas e cobradores aprovaram proposta feita ontem em audiência pela desembargadora Marlene Suguimatsu, do Tribunal Regional do Trabalho e suspender por 24 horas a greve que completa hoje 8 dias. Para resolver problema, só falta agora Prefeitura e empresas melhorarem R$ 45 no vale –refeição. Porém, de acordo com a URBS, 64% da frota estava circulando por volta das 10h30, com todas as estações-tubo com cobradores. Por outro lado, o Sindimoc garante que, desde as 7h30,  100% da frota estava nas ruas.

Na porta das garagens de ônibus de Curitiba e Região Metropolitana, os motoristas e cobradores decidiram suspender a greve por 24 horas e dar uma carta de confiança para Prefeitura e empresários. Aprovaram, por ampla maioria, a proposta de acordo formulada ontem pela desembargadora Marlene Suguimatsu, em audiência de conciliação, de 6% de reajuste salarial, R$ 400 de abono e R$ 575 de cartão alimentação. Em comparação à oferta das empresas, a única diferença são R$ 45 a mais no cartão alimentação.

Hoje, trabalhadores aguardam retorno da Prefeitura e empresários sobre essa questão, na esperança de resolver definitivamente o problema. “Estamos confiando na boa vontade do prefeito municipal e dos empresários. O trabalhador já abriu mão de tudo o que poderia abrir. Lamentavelmente não chegaram a essa proposta ontem no Tribunal, não cedendo em absolutamente nada em relação à proposta anterior, mas confiamos que podem rever a questão e resolver o problema antes do julgamento, que levaria no mínimo mais dez dias”, afirma Anderson Teixeira, presidente do Sindimoc.

Terminais hoje de manhã – Foto Banda B

Reunião do TRT

Ontem, em reunião no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-PR) não houve acordo entre trabalhadores e empresários. A decisão de aumentar em R$ 100 o valor do vale-alimentação foi rejeitada pelos patrões e, com isso, a greve entrou na segunda semana de paralisação. No entanto, a Justiça determinou que a frota mínima fosse aumentada para 80% nos horários de pico e 60% nos demais horários, até data de julgamento.  A multa de descumprimento em R$ 100 mil por hora, conforme já determinada.

Sem acordo, ficou decidido que o dissídio da categoria será julgado pela Seção Especializada do Tribunal Regional do Trabalho, que reúne todos os desembargadores do TRT-PR. Porém, agora, com a decisão desta quarta de aceitar a proposta e acertar o vale-refeição, o impasse deve ser resolvido num acordo.

Durante as negociações, uma das propostas, que contou com um aval da Coordenação da Região Metropolitana (Comec) e da Urbanização de Curitiba (Urbs), previu reajuste de 6% nos salários e no vale-alimentação, garantia de que os dias parados não serão descontados e aumento de R$ 10 no abono salarial. Os motoristas e cobradores aceitaram a proposta salarial, mas consideraram o aumento no cartão alimentação muito baixo. A proposta foi recusada por 90% dos 836 trabalhadores consultados. O Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus (Sindimoc) entendeu ontem que um aumento de R$ 130 poderi encerrar a paralisação. Agora, recuaram para aceitar um aumento de R$ 45 no vale.

Segundo o presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira, a proposta de ontem ficou muito distante do que é a realidade do transporte coletivo. “Um ganho no vale-alimentação, uma valorização favorecia muito a negociação. Sabemos que o supermercado subiu muito mais”, disse.

Durante a discussão no TRT, a Comec chegou a anunciar que poderia fazer um repasse de 6,58% nos salários, valor que a Urbs informou que não poderia chegar. Como contrapartida, a Urbs ofereceu o abono de R$ 400 a ser pago no mês de maio. A Comec aceitou, mas condicionante a acontecer junto ao pagamento de férias de cada trabalhador. Hoje o abono era de R$ 390, mas empresários pediam a retirada do benefício.

A greve de motoristas e cobradores de ônibus chegou ao sétimo dia nesta terça-feira. Desde a última quarta-feira, Curitiba tem vivido dia de caos no trânsito. A frota de ônibus do transporte coletivo tem se mantido próxima dos 40%, valor determinado pela Justiça do Trabalho fora dos horários de pico.