O Paraná registrou nos últimos dois anos uma redução de 41,87% no índice de mortalidade materna. O número foi apresentado pelo governador Beto Richa, nesta terça-feira (07/05), durante o I Encontro Estadual da Rede Mãe Paranaense, que reúne 2.000 profissionais de saúde em Curitiba. “Em dois anos, a redução na mortalidade materna no Estado foi maior do que nos últimos 20 anos”, destacou Richa.

Richa também anunciou que o Estado vai investir R$ 48 milhões na construção de 108 unidades da Saúde da Família, atendendo cidades de todas as regiões do Paraná (veja box) e informou que serão repassados R$ 126 milhões para a Rede Mãe Paranaense neste ano. Parte dos recursos atenderá 87 maternidades para a realização de partos de baixo risco e risco intermediário. As gestantes de alto risco já são atendidas em unidades credenciadas pelo HospSUS, programa estadual de apoio aos hospitais públicos e filantrópicos.

Richa ressaltou o empenho dos profissionais de saúde que atuam na Rede Mãe Paranaense. “É um programa exemplar. Basta ver os resultados. Números que nos orgulham. São ações e investimentos que estão salvando as vidas de muitas pessoas”, disse o governador. “Vamos avançar ainda mais, com investimentos vigorosos para levar às famílias paranaenses saúde de qualidade”, afirmou Richa.

O secretário estadual da Saúde, Michele Caputo Neto, destacou que a mortalidade infantil no Paraná caiu 4% em 2012, registrando 11,6 óbitos a cada mil nascidos vivos, enquanto a média nacional é de 15,6 a cada mil nascidos vivos. “Como o Mãe Curitibana, o Mãe Paranaense está se tornando um exemplo de saúde pública para o Brasil”, disse ele.

Caputo Neto informou que será feito um trabalho intensivo naqueles municípios em que a mortalidade materno-infantil continua com indicadores elevados. “Os novos investimentos que o Estado está assegurando vão contribuir para que possamos reduzir ainda mais a mortalidade materno-infantil em todo o Paraná”, afirmou.

MORTALIDADE – Entre 1990 e 2000, a queda na mortalidade materna no Paraná foi de 26%. Entre 2001 e 2010 a redução foi praticamente insignificante: menos de 2%. “A redução tem como principal causa a implantação da Rede Mãe Paranaense, que está fazendo um ano”, sustenta o secretário estadual da Saúde.

O grande diferencial do programa é o cuidado às gestantes e bebês. O Estado garante um conjunto de ações que envolvem captação precoce da gestante, acompanhamento no pré-natal, realização de 17 exames, classificação de risco das gestantes e das crianças, garantia de ambulatório especializado para as gestantes e crianças de risco, garantia do parto por meio de um sistema de vinculação ao hospital – conforme o risco gestacional – e o acompanhamento de todas as crianças menores de um ano.

Em 2012, foram investidos R$ 90 milhões na implantação da rede, com a capacitação dos profissionais da atenção primária e com o fortalecimento dos hospitais de referência para gestantes de alto risco por meio do programa HospSUS. Para este ano, estão previstos R$ 126 milhões para a vinculação de 87 maternidades e na consolidação dos centros Mãe Paranaense nos 22 consórcios intermunicipais de saúde.

Um dos conveniados é o Hospital Cristo Rei, cuja maternidade passará a ser referência microrregional para partos de risco intermediário para sete municípios: Primeiro de Maio, Alvorada do Sul, Bela Vista do Paraíso, Sertanópolis, Jataizinho, Assai e Ibiporã. “Estou ansiosa pelo credenciamento. Como teremos incentivos por parto realizado, podemos viabilizar a contratação de mais profissionais”, disse a diretora executiva do hospital, Ana Lúcia Fabro Mesquita. O número de nascimentos na maternidade deve subir de 50 para mais de 70 por mês.

CAPACITAÇÃO – O I Encontro Estadual da Rede Mãe Paranaense é realizado nesta terça e quarta-feira, no ExpoUnimed, em Curitiba. Cerca de 2 mil profissionais da saúde participam do encontro. Durante os dois dias serão oferecidos cursos de atualização profissional para enfermeiros, agentes comunitários de saúde e médicos que atuam nas unidades de saúde, secretários municipais da área e para médicos dos hospitais credenciados ao HospSUS.

O objetivo do encontro é atualizar as capacitações das equipes de saúde que atuam na Rede Mãe Paranaense. “Em maio de 2012 o Governo do Estado lançou a Rede Mãe Paranaense com um grande encontro de capacitação profissional, o que se renova na comemoração de um ano do programa”, reforçou o secretário Michele Caputo Neto.

O município de Guamiranga é um dos que receberá a Unidade de Saúde da Família. O pequeno município do Centro-Sul pertence a 4ª Regional de Saúde, que tinha um dos piores índices de mortalidade materna do país. “Essa unidade vai ser importante para o nosso município e para a região, que estava esquecida. O governador tem uma visão para os mais pobres, os pequenos municípios”, afirmou a prefeita de Guamiranga, Telma Fenker.