Por Marina Sequinel e Antônio Nascimento

(Fotos: Antônio Nascimento – Banda B)

Os moradores de um loteamento no bairro Umbará, em Curitiba, pedem socorro para a Prefeitura da cidade: a rua que acolhe cerca de 30 famílias não tem nome e, por isso, eles não possuem serviços básicos, como calçada, saneamento, passagem de ônibus e dos correios. “Nós somos um povo esquecido e estamos completamente largados aqui”, desabafou uma das habitantes do local, que fica próximo à Rua Angelo Burbello, no limite com o Campo de Santana.

Segundo a população, vereadores e representantes da gestão municipal já foram procurados para resolver a situação, mas até agora nada foi feito. “A gente não tem ônibus, calçada, esgoto e a rua não ajuda, estraga carro, pneu… Quem depende do transporte coletivo precisa andar em torno de quatro quilômetros para chegar até o ponto”, declarou Anita Demétrio de Oliveira, que vive no loteamento, em entrevista à Banda B na tarde desta terça-feira (10).

As próprias famílias se reuniram para organizar uma lixeira no local, de acordo com a presidente da Associação dos Moradores. “Nem lixo havia na rua. Nós fizemos um que foi roubado e agora temos outro, menor ainda, que atende toda a população. É muita gente para pouco espaço. Além de tudo, não recebemos as cartas dos Correios, mas as contas eles dão um jeito de mandar. Nós pagamos impostos e não vemos a cor desse dinheiro”, disse Everli de Oliveira.

A reportagem encontrou, ainda, duas idosas de 70 anos que andaram pelo menos dois quilômetros para chegar até o loteamento. “Aqui pobre não tem vez, só rico. O que custava colocar um ônibus para nós? Ali em cima, na área mais nobre, a grama é cortada com frequência, está tudo limpo, enquanto aqui não tem nada”, falou uma delas.

O outro lado

Segundo a Prefeitura de Curitiba, o loteamento é clandestino, o que significa que o proprietário que vendeu a área aos moradores precisa regularizar a situação no órgão municipal. Até que essa condição seja acertada, a Prefeitura não pode interferir ou entrar na região por se tratar de uma propriedade privada – o que impossibilita a instalação de saneamento básico e de um ponto de ônibus, além da construção de calçada. Ainda de acordo com a gestão, a coleta de lixo deve ser feita regularmente na região, mesmo que o caminhão não possa passar pela rua, que foi implantada pelo proprietário do loteamento.