O Ministério Público do Paraná, por meio da Promotoria de Justiça de Proteção à Saúde Pública de Curitiba, informou na manhã desta segunda-feira (11) que vai oferecer denúncia à Justiça sobre os crimes ocorridos na Unidade de Terapia Intensiva Geral do Hospital Evangélico, entre janeiro de 2006 e fevereiro de 2013.

Os detalhes da denúncia só serão divulgados em entrevista coletiva logo mais, às 14h30, na sede do MP-PR, no Centro Cívico. Os representantes da Promotoria de Justiça e do Centro de Apoio às Promotorias de Justiça de Proteção à Saúde Pública vão esclarecer se todos os profissionais presos (a médica Virginia Soares de Souza, outros três médicos e uma enfermeira) serão denunciados como responsáveis pelas mortes. As investigações apuram se a médica e sua equipe teriam “antecipado” a morte de pacientes em estado terminal, o que é proibido no Brasil e considerado homicídio pela polícia.

De acordo com o inquérito da polícia, para antecipar as mortes, a médica e alguns integrantes da sua equipe, além de reduzir o nível de oxigênio do respirador, teriam aplicado medicamentos para aliviar a dor e paralisar os músculos dos pacientes.

O inquérito tem mais de mil páginas e 32 horas de gravações telefônicas entre os ramais do hospital, feitas com autorização judicial.

Primeira entrevista

Pela primeira vez, desde que foi presa no dia 19 de fevereiro, a médica Virgínia Soares de Souza falou sobre as denúncias de que seria a responsável por antecipações de mortes na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Evangélico, em Curitiba. A entrevista foi apresentada no programa Fantástico, na Rede Globo, na noite deste domingo (10). Sem mostrar o rosto, a gravação do áudio foi feita pelo advogado da acusada, Elias Mattar Assad, com base em perguntas feitas pela produção do programa.

A médica nega as acusações. “Nunca fui negligente, nunca fui imprudente, nunca tive uma infração ética registrada, uma queixa e exerci a medicina de forma consciente e correta”, relata Virgínia na entrevista.

“Eu não sou Deus, não sou perfeita. Nada mais fiz do que exercer com a maior dignidade possível e com respeito aos pacientes a medicina intensiva”, afirmou.

Ainda durante a entrevista, e ex-chefe da UTI relata que as testemunhas que depuseram contra ela “não sabem do que estão falando porque não são médicas”. Ela também afirma que algumas das testemunhas foram demitidas e que quiseram se vingar.