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O desfile terá 15 minutos, de acordo com os integrantes da escola de samba

A menor escola de samba do mundo vai sair na menor avenida do mundo, a Luiz Xavier. “O desfile da nossa Ex-Cola de Samba Unidos do Botão vai ser na Boca Maldita, dia 2 de fevereiro, ao meio-dia – às 12h15 já terá acabado”, diz o artista plástico, contador de histórias e agitador cultural Hélio Leites. Ele explica e ao mesmo tempo desfila histórias para um grupo de curiosos na barraca que mantém na Feirinha de Artesanato de domingo, na Praça Garibaldi, entre o Palacete Wolf e o Relógio das Flores.

Enquanto remexe as duas mechas soltas do longo cabelo branco, vai se transformando nas torres gêmeas, na Dona Benta do Sítio do Picapau Amarelo, no pintor surrealista Salvador Dalí, no polaco curitibano Paulo Leminski. Isso em menos de um minuto. Moto contínuo, o lapeano radicado em Curitiba vai puxando do fundo da barraca o “Pinicão”, carro abre-alas do desfile minúsculo, feito de um urinol branco emborcado, coberto com um prato de bolo prateado e duas meias bolas de isopor em sentidos inversos, como o Palácio do Planalto. A alça do urinol equilibra um óculos. É uma homenagem à “visão profética de Niemeyer, que trouxe para a arquitetura o pinicão, pois sabia que tanta sujeira ninguém atura”, diz Hélio, explicando o enredo deste ano: “Apoteose Niemeyer, 104 anos de arquitetura em 15 minutos de samba”.

O enredo tem samba de Franco Fuchs e da turma do Bico Doce, gravado por Guto Horn. Parte da letra é assim: “Nunca jogou futebol/não confunda com Neymar/ele era mesmo o craque/do concreto de armar”. A Unidos do Botão fará seu desfile número 22, com integrantes como a artista múltipla Kátia Horn, cujo carro alegrórico – é assim mesmo, com “r”, um carro que alegra – também já está pronto: são moscas na sopa, tudo representado sob a figura de Raul Seixas, no carro miniatura. Outra participante é a artista do papel Efigênia Rolim, que aos 81 anos participa com o Carro Funerário do Niemeyer e com o Zoião – em referência ao Museu do Olho. Outro trecho do samba-enredo é assim: “Rabiscou num guardanapo/um pinheiro bem mambembe/ que virou Museu do Olho/coisa que ninguém entende. Será que é bailarina/será que é um pinhão/eu acho que é mais um olho/mesmo que digam que não”.

Item obrigatório para desfilar na Ex-cola é o cachecol. Quem não levar tem de pagar o mico de usar rolo de papel higiênico no pescoço. Para Hélio, o povo do Botão “se liga com o carnaval, porque confete é botão de carnaval”. E explica que antigamente o fim da folia era de rasgar a fantasia. Sobrava botão pra todo lado. Com o tempo, o botão virou confete, que só não tem furinhos “por pura preguiça do povo”. E o que o povo do Botão acha do carnaval? “Não queremos dinheiro, nada. Queremos é botar nossa alegria indiscreta pro lado de fora”, provoca ele.